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17 de agosto de 2012

Mistérios elucidados sobre os maçons



Por Texto Eduardo Szklarz, de Buenos Aires


maçonaria já foi acusada de tudo: fazer rituais sinistros, promover orgias, querer dominar o mundo... Até de estar por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador. Muita gente acredita que a organizaçãocontrola governos e que seus integrantes usam cargos públicos para se ajudar mutuamente. Os maçons, no entanto, garantem que quase tudo isso é besteira. Eles não passariam de um grupo filosófico, filantrópico e progressista. Reconhecem que ajudam uns aos outros, mas que o dever de auxiliar um irmão está sempre sujeito à obrigação maior de cumprir a lei. Afinal, qual é a verdade sobre essasociedade secreta?
Para começar, a maçonaria não é tão secreta assim. Em vários países, inclusive no Brasil, todo mundo sabe onde ficam as lojas maçônicas e quem são seus membros. Maçons publicam revistas e divulgam suas idéias em sites da internet. E, se antes mantinham seus templos imersos numa aura de mistério, hoje permitem visitas. Nossa reportagem entrou no templo da Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, situada na rua Perón, 1242, em Buenos Aires. Durante 3 horas, conversamos com diversos integrantes da maçonaria – e muitos nos entregaram cartões em que se identificavam como membros da ordem.
A julgar por iniciativas desse tipo, parece que a organização nunca foi tão aberta como hoje. Será que o grande segredo da maçonaria é não ter segredo algum, como dizem alguns irmãos? Pode ser. Mas o certo é que eles ainda mantêm sessões a portas fechadas. Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Grande Loja da Argentina, tem uma explicação para isso. “A maçonaria não é secreta, mas discreta. As cerimônias que realizamos aqui só interessam a nós, são reservadas aos iniciados.” Para Clavero, é exatamente o que ocorre em qualquer reunião, seja de condomínio ou da diretoria de uma multinacional. “Se você não é dono de um apartamento no prédio ou diretor da empresa, não vão deixá-lo entrar.

VÁRIAS MAÇONARIAS

O argumento do grão-mestre faz sentido. Por outro lado, diretores de empresas não costumam se reunir para debater filosofia, vestidos com aventais coloridos e rodeados de objetos simbólicos. Além disso, nem você nem seus vizinhos de apartamento precisam jurar segredo absoluto sobre o que foi discutido na reunião de condomínio. Na maçonaria, é assim que as coisas funcionam. Para entender os porquês disso tudo, o primeiro passo é levar em conta que não existe uma só, mas várias maçonarias.
organização é uma rede global, hoje composta de cerca de 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Os rituais variam muito, de um país para outro. Cada loja tem autonomia, mesmo que pertença a uma federação nacional ou continental. Algumas usam a Bíblia em suas reuniões. Outras, a Torá ou o Alcorão. Essa diversidade permite que os símbolos maçônicos tenham várias interpretações. E foi graças a ela que personalidades extraordinariamente distintas já vestiram o avental da irmandade: de Mozart a dom Pedro 1º, de Winston Churchill a Hugo Chávez (leia mais no quadro das págs. 14 e 15).
Mas as maçonarias também têm muito em comum. Todas elas, independentemente do país, defendem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Veneram o Grande Arquiteto do Universo – como se referem a Deus. E exigem requisitos dos iniciados, que, depois de passar por uma cerimônia de iniciação, vão galgando postos e acumulando mais e mais conhecimentos. Embora proíbam falar de política e religião dentro do templo, os maçons continuam tendo o poder e a influência de sempre. A mesma que eles usaram para orquestrar capítulos decisivos da história, como a independência do Brasil, dos EUA e de quase todos os países da América Latina.
A origem da maçonaria é um mistério até para os maçons. Uma das teorias diz que ela surgiu há cerca de 3 mil anos, durante a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. O rei israelita teria recrutado o arquiteto Hiram Abif, mestre na arte de talhar pedras, que ensinava os mistérios do ofício apenas a pedreiros escolhidos a dedo. No fim da obra, 3 artesãos exigiram que ele lhes contasse os segredos. Abif recusou-se e acabou sendo assassinado por isso.
O martírio do arquiteto jamais foi comprovado. Mesmo assim, significa muito para os maçons. Em The Meaning of Masonry (“O Significado da Maçonaria”, inédito no Brasil), o maçom britânico W.L. Wilmshurst interpreta a morte do mestre como um desastre moral para a humanidade – como se a chama do conhecimento tivesse sido apagada. “Agora, neste mundo escuro, ainda temos os 5 sentidos e a razão, que vão nos proporcionar os segredos substitutos”, escreve Wilmshurst. A maçonaria, portanto, seria um sistema filosófico que discute o Universo e nosso lugar dentro dele. Quanto mais o maçomsobe os degraus da confraria, mais perto ele chega da Luz – ou seja, o pensamento racional.
Outra tese afirma que os maçons são herdeiros dos templários, os cavaleiros que viajaram à Terra Santa no século 12 para defender os cristãos, mas acabaram perseguidos pela Igreja. E existe também quem defenda uma origem ainda mais remota, no Egito dos faraós ou na Grécia antiga. Para a maior parte dos historiadores , contudo, foi na Europa medieval que a maçonaria assentou suas bases. Ela teria começado na forma de sindicatos de pedreiros (masons, em inglês), que construíam monumentos para religiosos e monarcas – entre eles a Ponte de Londres e a Catedral de Westminster, também na capital da Inglaterra.
“Os pedreiros ingleses almoçavam e deixavam suas ferramentas em pequenas casas chamadas lodges [lojas]”, explica o jornalista americano H. Paul Jeffers no livro Freemasons (“Maçons”, sem tradução para o português). Assim como Abif, eles mantinham em segredo seus métodos de construção, pois eram a garantia de melhores salários.
Esses sindicatos floresceram até o século 16, quando os pedreiros tiveram uma surpresa. Abalada pela Reforma Protestante e pela rixa com o rei Henrique 8º, a Igreja parou de construir catedrais. Resultado: contratos para novas obras minguaram. “A maçonaria entrou em crise e sofreu uma grande mudança. Tudo que era ligado à prática do ofício na pedra passou a ser alegórico, e as ferramentas viraram símbolos na contemplação dos mistérios da vida”, diz Jeffers. A ordem deixou de ser “operativa” para ser “especulativa”. E as lojas maçônicas passaram a interpretar esses símbolos por meio de conceitos morais, éticos e filosóficos. A sociedade foi aberta a outros profissionais, como os cientistas, e deixou-se influenciar até pela alquimia.
Em 1717, 4 lojas de Londres se uniram na Grande Loja Unida da Inglaterra, que marcou o início damaçonaria atual. Em 1723, o maçom James Anderson compilou a tradição oral da irmandade numa constituição, cujos lemas eram ciência, justiça e trabalho. Quem não gostou de nada disso foi a Igreja, sentindo seu poder ameaçado por um grupo que rejeitava dogmas, aceitava seguidores de outras crenças e era contra a influência da religião na vida pública. Pior: discutia seus assuntos em segredo, o que só aumentava a desconfiança da Santa Sé. Em 1738, o papa Clemente 12 emitiu uma bula em que excomungava a maçonaria – ratificada em 1983 pelo cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16.
O tiro saiu pela culatra. Quanto mais a maçonaria era difamada, mais ela atraía revolucionários – entre eles, o libertador sul-americano Simon Bolívar e o herói da independência americana Benjamin Franklin. A Revolução Francesa também assumiu os valores maçônicos, mas não com a intensidade que muitos imaginam. “Do mesmo jeito que alguns revolucionários franceses eram maçons, como Jean-Paul Marat, alguns opositores da revolução também eram”, diz o historiador inglês Jasper Ridley no livro The Freemasons (“Os Maçons”, inédito no Brasil). No século 20, a Igreja continuaria no encalço damaçonaria.


CÓDIGOS SECRETOS

história de perseguição explica por que os maçons desenvolveram códigos para se reconhecer no meio de outras pessoas. No aperto de mão, por exemplo, um tocaria com o indicador no pulso do outro. Ao se abraçar, eles colocariam um braço por cima, outro por baixo, em X, e bateriam 3 vezes nas costas. Mais uma forma de comunicação em lugares públicos seria ficar em posição ereta e com wos pés em forma de esquadro.
Em seus textos, os maçons abreviam as palavras usando 3 pontos em forma de delta. Exemplos: “Ir” é irmão, “Loj” é loja. Hoje, boa parte desses segredos já virou de domínio público. Tanto que o termo usado pelos maçons para se referir a Deus – Jahbulon, resultado da união dos nomes Javé, Baal e Osíris – aparece em quase 30 mil páginas na internet.
Para ingressar na maçonaria, é necessário ter ficha limpa, ser maior de idade e acreditar em um deus, seja ele qual for. O candidato precisa ser convidado por um maçom e só se torna aprendiz após ser aceito numa cerimônia de iniciação no templo, onde se compromete a não revelar o que escutar ali dentro.
“Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”, diz o grão-mestre argentino Jorge Clavero. “A maçonaria não é como um partido político, que fixa posições. Ela atua na sociedade por meio de seus homens, silenciosamente. O iniciado faz sua obra entre a família, os amigos e em seu local de trabalho.”

Degraus do conhecimento

No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas o de York prevalece no resto do mundo

RITO ESCOCÊS

1º grau - Aprendiz iniciado
2º grau - Companheiro de ofício
3º grau - Mestre maçom
4º grau - Mestre secreto
5º grau - Mestre perfeito
6º grau - Secretário íntimo
7º grau - Preboste e juiz
8º grau - Intendente dos edifícios
9º grau - Mestre eleito dos 9
10º grau - Mestre eleito dos 15
11º grau - Cavaleiro eleito dos 12
12º grau - Grão-mestre arquiteto
13º grau - Mestre do 9º arco
14º grau - Grão-eleito perfeito e sublime
15º grau - Cavaleiro do Oriente
16º grau - Príncipe de Jerusalém
17º grau - Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18º grau - Cavaleiro Rosacruz
19º grau - Grão-pontífice
20º grau - Mestre ad Vitam
21º grau - Patriarca noaquita
22º grau - Príncipe do Líbano
23º grau - Chefe do tabernáculo
24º grau - Príncipe do tabernáculo
25º grau - Cavaleiro da serpente de bronze
26º grau - Príncipe da mercê
27º grau - Comendador do templo
28º grau - Cavaleiro do Sol
29º grau - Cavaleiro de Santo André
30º grau - Cavaleiro kadosh
31º grau - Grão-inspetor inquisidor comendador
32º grau - Sublime príncipe do real segredo
33º grau - Soberano grão-inspetor geral



RITO DE YORK

Mestre de marca
Past master (virtual)
Mui excelente mestre
Maçom do real arco
Mestre real
Mestre eleito
Mestre superexcelente
Ordem da Cruz Vermelha
Ordem dos Cavaleiros de Malta
Ordem dos Cavaleiros Templários

Rumo ao topo da pirâmide

A escalada na hierarquia pode levar uma vida inteira
A estrutura da maçonaria tem a forma de duas escadas que começam e terminam juntas. O 1º passo do candidato é se tornar aprendiz. O 2º nível é o de companheiro de ofício e o 3º, de mestre maçom. Os 3 degraus iniciais são comuns ao rito escocês e ao de York. Depois disso, quem quiser subir na hierarquia deve escolher entre os dois sistemas ritualísticos. No escocês são 33 graus, enquanto o de York tem apenas 10. A história dos ritos também é diferente: para muitos estudiosos da maçonaria, o ritual escocês foi fundado na França por imigrantes que fugiam de perseguições. Já o de York surgiu na cidade inglesa de mesmo nome, onde teria sido aberta a primeira loja maçônica da Grã-Bretanha. No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas estima-se que 85% dos maçons em todo o mundo pratiquem o de York.Alguns personagens importantes da tradição maçônica aparecem sobre os degraus desta ilustração, publicada pela primeira na revista americana Life, em 1956. Entre eles, o rei Salomão (indicando o caminho na base do rito escocês), que construiu o 1º Templo de Jerusalém, e George Washington (no 20º grau do mesmo rito, mestre ad Vitam), primeiro presidente dos EUA. Sob o arco estão as organizações irmãs da maçonaria. Mestres maçons são aceitos na Grotto e na Altos Cedros do Líbano. Meninas que têm um maçom na família podem ingressar na Filhas de Jó ou na Ordem das Garotas do Arco-Íris; mulheres, na Estrela do Oriente; e rapazes, na DeMolay. Apenas maçons de grau 32 e Cavaleiros Templários podem entrar para o Shrine. E a mulher de um Shrine pode ser uma Filha do Nilo.

Até na lua!

De presidente a astronauta, maçons que entraram para a história

GEORGE WASHINGTON - 1732-1799

Foi o primeiro e único a exercer ao mesmo tempo os cargos de mestre de uma loja e presidente dos EUA. Um terço dos presidentes americanos foram da maçonaria.

AMADEUS MOZART - 1756-1791

Um dos maiores compositores de todos os tempos, ingressou na maçonaria a convite de Joseph Haydn, outro gênio da música, membro de uma loja em Viena.

DOM PEDRO 1º - 1798-1834

Chegou ao posto de grão-mestre no Brasil. Deixou a maçonaria assim que foi declarado imperador e proibiu os trabalhos da organização no país, temendo que seu poder fosse contestado.

WINSTON CHURCHILL - 1874-1965

Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi iniciado em 1901, aos 26 anos de idade, na loja maçônica Studholme, em Londres, quando já era parlamentar.

HUGO CHÁVEZ - 1954-

Iniciado por um guarda-costas, segue os passos de outros maçons históricos que ele adora citar em discursos, entre eles: Simon Bolívar, José Martí e San Martín.

NEIL ARMSTRONG - 1930-

O primeiro homem a pisar na Lua era maçom. Ele teria vestido seu avental sobre o traje lunar durante a missão da Apolo 11, mas não há provas de que isso realmente tenha acontecido.

Para saber mais

• Freemasons
H. Paul Jeffers, Kensington Publishing, 2005 (em inglês).

Por dentro do templo maçônico

Um passeio pela Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, com explicação para tudo que você veria lá dentro

• ALTAR

Corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do antigo Templo de Jerusalém. A poltrona central é usada apenas pelo venerável-mestre, que conduz os rituais.

• COMPASSO E ESQUADRO

Remetem ao tempo em que os maçons eram pedreiros. Por desenhar círculos perfeitos, o compasso representa a busca da perfeição. Já o ângulo reto do esquadro sugere honestidade. A letra “G” vem de God – “Deus” em inglês.

• SOL E CÉU AZUL

São vários os significados atribuídos ao Sol na maçonaria. Rente ao teto do templo, ele pode ser interpretado como conhecimento e esclarecimento mental ou intelectual. O céu azul simboliza a natureza e o Universo.

• CIÊNCIA, JUSTIÇA E TRABALHO

Os 3 adultos à esquerda, neste quadro do italiano Enrique Fabris, representam a ciência (ancião com a tocha da razão), a justiça (mãe carregando o filho) e o trabalho (homem vigoroso com ferramentas). A esfinge central refere-se à sociedade iniciática e o longo caminho a ser seguido pelo homem na busca do conhecimento. O Sol simboliza a natureza, presente em seus 4 elementos: água, fogo, ar e terra. Deles, apenas a água não pode ser dominada pelo homem – daí o mar revolto no quadro.

• AVENTAL

Símbolo de trabalho, ele protege o maçom e indica seu grau (na foto, Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Loja Argentina de Maçons Livres e Aceitos). As luvas, sempre brancas, significam pureza, retidão moral e igualdade.

• ESTRELA DO ORIENTE

Com 5 pontas, ela simboliza o homem em seus 5 aspectos – físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual. Ao fundo, observa-se a pirâmide com o olho que tudo vê, uma alusão a Deus.

• PISO XADREZ

Representa povos do mundo unidos pela maçonaria. Os triângulos e quadrados simbolizam a harmonia que pode existir na diversidade. Também sintetizam os contrários: Bem e Mal, corpo e espírito.


  
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O que é a marca da besta (666)? É um mistério ?


Resposta: A passagem principal na Bíblia que menciona a "marca da besta" é Apocalipse 13:15-18. Outras referências podem ser encontradas em Apocalipse 14:9,11; 15:2; 16:2; 19:20; 20:4. Essa marca age como um "selo" para os seguidores do anticristo e o falso profeta (o porta-voz do anticristo). O falso profeta (a segunda besta) é aquele que leva as pessoas a aceitarem essa marca. Essa marca é literalmente colocada na mão ou na testa, e não é apenas um cartão que alguém carrega.

Os progressos recentes em tecnologias médicas para implantar chips têm aumentado o interesse na "marca da besta", a qual é mencionada em Apocalipse capítulo 13. É provável que a tecnologia que hoje vemos representa os primeiros passos do que pode eventualmente se tornar a "marca da besta". É importante que saibamos que um chip médico implantado não é a marca da besta. A marca da besta será algo dado apenas àqueles que louvam o anticristo. Ter um microchip médico ou financeiro inserido na sua mão direita ou testa não é a marca da besta. A marca da besta vai ser uma "marca" do fim dos tempos exigida pelo anticristo para comprar ou vender e será dada apenas àqueles que adoram ao anticristo.

Muitos expositores bons do livro de Apocalipse têm tido opiniões bastante diferentes sobre o que exatamente a marca da besta é. Além da opinião de uma "carteira de identidade", outros têm especulado que é um microchip, um código de barras que é tatuado na pele, ou simplesmente uma marca que identifica alguém como sendo fiel ao reino do anticristo. Essa última opinião exige menos especulação, já que não adiciona mais informação ao que a Bíblia nos diz. Em outras palavras, qualquer uma dessas idéias é possível, mas ao mesmo tempo são apenas especulações, então teremos que esperar e ver o que acontece. Não devemos perder muito tempo especulando sobre detalhes que vão além do que a Bíblia diz.

O significado de 666 também é um mistério. Recentemente, muitas pessoas especularam que havia uma conexão a 6 de junho de 2006 – 06/06/06. No entanto, de acordo com Apocalipse capítulo 13, o número 666 identifica uma pessoa, não uma data. Apocalipse 13:18 nos diz: “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis”. De alguma forma, o número 666 vai identificar o anticristo. Por séculos, intérpretes da Bíblia têm tentado identificar certos indivíduos com 666. Nada é conclusivo. Por isso Apocalipse 13:18 diz que o número requer sabedoria. Quando o anticristo for revelado (2 Tessalonicenses 2:3-4), vai ser claro quem ele é e como o número 666 o identifica.


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14 de agosto de 2012

O que é wingdings ?

A utilização da simbologia WINGDINGS, tem sido muito divulgada ultimamente na internet, nos jornais e na mídia em geral.

Principalmente depois do ataque terrorista de 11 de setembro. 

Para os céticos não passa de uma mera coincidência, uma brincadeira...  mas para alguns místicos a realidade é outra; as combinações que surgem, surpreendem, por vezes até assustam. Você também pode testá-la, basta abrir o Word da Microsoft, escreva a palavra desejada  para a conversão em letras maiúsculas, em seguida, selecione toda a palavra e altere a fonte  para  "WINGDINGS"  do Windows. Todos os computadores possuem estas fontes. 




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O SEGREDO DE RAGATANGA - MENSAGENS SUBLIMINARES SATANICAS


12 de agosto de 2012

"A Bíblia do Diabo" - O lendário Codex Giga


O que leva alguém a negociar com o diabo? E mais importante qual o valor de uma alma e o que poderia ser recebido em troca dela?

Na literatura, Fausto vende sua alma em troca da vida eterna, mas aprende da maneira mais difícil que a eternidade pode ser um pesadelo, ele vive para lamentar a barganha. O músico norte-americano Robert Johnson supostamente vendeu sua alma para se tornar o maior de todos os guitarristas de blues, mas foi amaldiçoado para sempre.


Para um monge da Bohêmia que redigiu as linhas do lendário Codex Gigas (pronuncia-se GUI-gas), obra também conhecida como "Bíblia do Diabo", a barganha envolveu trocar sua alma pela oportunidade de escrever o maior livro do Mundo Medieval.
A aura de mistério que envolve esta incrível artefato apenas se aprofundou nos últimos séculos, quando o imponente tomo, cujo nome se traduz literalmente como "Livro Gigante", continuou atraindo o interesse e despertando a curiosidade de todos que lançaram os olhos sobre ele. E não é de se admirar que o livro chame tanta atenção.
O Codex Gigas é o maior documento medieval conhecido. As páginas de velino grosso e amarelado foram supostamente confeccionadas com a pele esfolada de 160 burros que deram origem a um livro com notáveis 92 cm de altura, 50 cm de largura e 22 cm de espessura. As 310 páginas que o compõem são encerradas em uma volumosa encadernação com capa de madeira, couro reforçado e detalhes metálicos. O volume é tão pesado que são necessários dois bibliotecários para manuseá-lo.

O  manuscrito teria sido escrito no século XIII por um monge beneditino que vivia num isolado mosteiro em Podlažice na região da Bohêmia, que hoje corresponde a República Tcheca. Não se sabe quem foi seu autor e esse aliás é um dos grandes mistérios que cerca a obra.
Existe uma lenda muito antiga sobre a criação do Codex Giga. Segundo essa lenda, o responsável pelo trabalho foi um monge rebelde que rompeu com o rigoroso códigos de sua ordem. Por suas atitudes ele foi condenado a ser emparedado vivo em uma cela. Para evitar a agonia de morrer de fome e sede, o monge se comprometeu com seus superiores a escrever um tratado que glorificaria o nome da ordem para sempre. Esse maravilhoso livro deveria reunir todo o conhecimento humano em suas páginas e ser uma obra definitiva de erudição e sabedoria. Havia, no entanto, uma condição bastante específica: o monge teria apenas vinte e quatro horas para completar a tarefa. Imediatamente ele se pôs a compor uma vasta bíblia com uma caligrafia rebuscada e firme. Cada página de velino deveria ser decorada com belíssimas iluminuras feitas com uma tinta vibrante nas cores vermelha, azul, amarela, verde e dourado com um grau de detalhismo surpreendente. O religioso pensou que fazendo um trabalho extraordinário poderia convencer seus colegas a lhe poupar.

Diz a lenda que próximo da meia-noite o monge concluiu que não poderia completar sozinho a tarefa hercúlea. Desesperado, ele invocou o diabo implorando que este o ajudasse a terminar o trabalho no prazo estipulado. O demônio teria surgido no interior da cela e concordou em cumprir sua parte em troca da alma do monge. Sussurrando no ouvido do pobre coitado as palavras que deveriam ser escritas, o trabalho se intensificou: textos inteiros começaram a surgir nas páginas antes vazias, imagens detalhadas abrilhantavam cada folha, trechos de poesia se escreviam sozinhos e passagens das sagradas escrituras se multiplicavam. O diabo, além do preço pactuado, exigiu mais uma condição, uma grotesca imagem deveria ser incluída na obra. Na página 290 do tratado há uma ilustração de página inteira com uma figura sinistra identificada como um retrato do próprio demônio. Ironicamente, na página ao lado encontra-se uma ilustração do Paraíso criando uma contradição. Para alguns esse elemento alude ao fato de que Paraíso e Inferno co-existem lado a lado em uma espécie de equilíbrio perene. 


Com a ajuda do demônio, o monge conseguiu completar a obra e antes do surgimento dos primeiros raios de sol, o manuscrito estava pronto. Maravilhados com o resultado, e considerando que aquilo so podia ser uma inspiração divina, os monges libertaram seu colega. Imediatamente ele deixou o lugar sem olhar para traz. Algumas lendas afirmam, que quando já estava longe, ouviu-se os gritos aterrorizados dos monges ao de deparar com a ilustração da página 290 onde contemplaram a imagem do diabo.


A lenda é claro, não responde muitas questões sobre o Codex.

A primeira e mais importante pergunta envolve a identidade de quem o escreveu. O que se sabe com certeza é que o modesto monastério de Podlažice não se notabilizou por produzir qualquer outra obra dessa grandeza. A própria biblioteca do monastério não era grande ou especialmente equipada. Muitos historiadores chegam a levantar suspeitas de que o tratado não tivesse sido redigido nesse lugar, ainda que em uma das primeiras páginas do Codex se confirme textualmente essa informação. 


Alguns estudiosos supõem que o livro poderia ter sido adquirido de outro monastério por um abade interessado em dizer que o livro fora criado em  Podlažice e assim receber algum tipo de benefício da diocese. Mas essa hipótese encontra fortes objeções já que não havia muitos outros monastérios na região e transportar uma obra desse tamanho poderia ser não apenas trabalhoso, mas arriscado dado seu valor. Além disso, como os monges fariam para pagar um volume tão caro?


Supondo-se que o Codex Giga foi criado atrás dos muros de Podlažice é preciso imaginar como o trabalho foi realizado. Produzir uma manuscritos envolve um trabalho grandioso que podia demorar anos para ser concluído - isso excluindo a ajuda providencial do diabo.

Para alguns, a criação do Codex pode ter sido uma empreitada que envolveu todos os monges do monastério o que consumiu vários anos de trabalho concentrado. O objetivo poderia ter sido atrair o interesse da diocese através da obra e receber assim mais fundos. Isso talvez explique porque o monastério não produziu outras obras ao longo de sua existência, já que todos estariam envolvidos no mesmo projeto.


Mas se o livro decorre de um esforço comum deveria constar alguma menção a isso o que não é o caso.

Outra dúvida é que se o livro foi concebido para ganhar o favor das autoridades eclesiásticas, porque acrescentar uma imagem medonha do grande adversário de Deus em uma das páginas? Não poderia essa imagem colocar tudo à perder? Curiosamente ao longo de sua estória, o Codex Giga atraiu muitos interessados em estudar seu conteúdo, mas felizmente a Inquisição jamais cogitou destruir o volume, apesar do conteúdo polêmico de alguns capítulos.

Finalmente, há algo ainda mais curioso à respeito do Codex Gigas e que envolve a autoria do volume. Grafologistas concluíram que todas as 310 páginas foram escritas pela mesma pessoa, ou seja, o trabalho laborioso de copiar cada trecho foi pacientemente realizado por uma única mão. Sabendo que cada página de um livro desta natureza pode demorar muito tempo para ser concluída é surpreendente que o trabalho decorra de um mesmo indivíduo. Os especialistas atestaram que a caligrafia apresenta mudanças perceptíveis ao longo das páginas, apontando para a possibilidade do escriba ter envelhecido e perdido um pouco da firmeza com que copiava as palavras com o passar do tempo. Para os especialistas a obra deve ter demorado algo entre 25-30 anos para ser terminada.

Outra descoberta que reforça a hipótese de um indivíduo solitário é que a tinta utilizada no tratado é basicamente a mesma do início ao fim. Nessa época, os próprios monges produziam a tinta que utilizavam em seu ofício e cada um tinha uma preferência. Estudiosos foram capazes de descobrir o responsável por um mesmo trabalho examinando a tinta usada por ele, quase como se cada monge tivesse uma assinatura própria de acordo com os ingredientes usados na mistura. No caso do Codex Gigas, a tinta foi produzida a base de ninhos de inseto triturados com betume, uma fórmula bastante específica e incomum.

As primeiras menções ao Codex Gigas datam de meados do século XIII, quando o monastério de Podlažice enfrentava sérias dificuldades financeiras. Para levantar dinheiro e continuar existindo, em 1477 os monges negociaram a venda do manuscrito para outro monastério mais rico próximo da capital, Praga. Infelizmente, Podlažice acabaria sendo destruído por doença e peste que varreu a Europa Oriental nessa mesma época. Dizem que nenhum dos monges do local sobreviveu a terrível epidemia. Logo que o documento foi transportado e acomodado na biblioteca da ordem que o adquiriu, esta também começou a perder recursos e enfrentar dificuldades. Esses dois acontecimentos juntos acrescentaram mais um detalhe a lenda do Codex Gigas, uma suposta maldição que recaía sobre todos que adquiriam o livro.


Incapaz de manter o tomo - e segundo alguns temendo as estórias que o cercavam, o monastério acabou doando o volume em 1594 ao Imperador Rudolfo II do Sacro Império Romano. Acredita-se que o erudito governante tinha um profundo interesse em alquimia e ocultismo e que desejava o livro desde que ouvira boatos sobre sua existência. Um cronista da época relatou que ao se deparar com a imagem do demônio, Rudolfo II sorriu enigmaticamente e comentou que o livro doravante seria seu tesouro mais valioso. Mas o livro não traria bons frutos ao imperador. Poucos anos depois seu comportamento sofreu uma drástica transformação, ele se tornou errático e paranoico vendo conspirações em todo canto. Declarado incapaz de governar acabou banido pela sua própria família.


O livro permaneceu na Biblioteca Real de Praga até que no século XVII, em meio a Guerra dos Trinta Anos a cidade foi invadida por tropas suecas. Em meio ao caos e destruição que se seguiu o acervo real foi saqueado e entre os itens removidos estava o Codex Gigas. O tomo foi levado para Estocolmo onde permaneceu desde então na Biblioteca Nacional daquele país.

Ao longo dos anos, o manuscrito recebeu uma enorme variedade de nomes que fazem alusão ao seu tamanho e ao famoso retrato do Diabo. Além da Bíblia do Diabo e Codex Gigas foi também chamado Codex Giganteus (Livro Gigantesco), Gigas Librorum (O Livro Grandioso), Fans Bibel (Bíblia do Demônio), Hin Hales Bibel ("Old Nick Bíblia") e Svartboken (o Livro Negro).
O Codex Gigas é a única bíblia medieval conhecida onde existe uma imagem demoníaca, ao menos um demônio que não está sendo submetido pelo Anjo Gabriel. A figura é retratada semi-vestida com a tradicional pele de arminho real, uma óbvia conotação ao papel do diabo como monarca do inferno. Ele é  metade homem, metade animal, com garras, patas de falcão, e uma enorme língua vermelha. Os chifres são longos, brotando na cabeça bulbosa e desproporcional. O desenho mostra a figura diante de uma parede murada sem seus súditos ou escravos infernais. Muitos supõem que a imagem pode ser uma alusão a condição de aprisionamento do demônio no inferno e a impossibilidade dele ascender.  

Qualquer pessoa folheando o tomo acaba sendo eventualmente atraído para o enorme retrato do diabo na página 290, o que criou a impressão de que este é um dos pontos focais do livro. Ao longo da história, muitas pessoas também chamaram a atenção para o fato da página ser mais escura em comparação a todas as demais do livro. E que esta seria uma manifestação sobrenatural ocasionada pela representação diabólica ali retratada. Mas a explicação mais aceitável para esse fenômeno reside no fato de que a luz incidindo sobre a página em especial acabou por escurecer o velino.

O conteúdo do Codex Gigas inclui uma versão da Vulgata Latina, a tradução da Bíblia em grego para o idioma latim realizada no século IV. Além das passagens bíblicas completas, o Codex possui cinco grandes textos de cunho histórico e científico. Dois trabalhos do filósofo Flavius Josephus que viveu no século primeiro, as antologias Antiquities e Guerras Judáicas. Além disso, ele também apresenta uma versão da  Etymologiae, uma enciclopédia escrita por Isidoro de Sevilha e o tratado histórico "Chronica Boemorum" (Crônicas da Boémia) que relata a formação política daquela região. Ainda mais interessante é a existência de uma miscelânea de textos exclusivos versando sobre medicina, uso de ervas, tratamentos para doenças perigosas, realização de magias, rituais de purificação, penitências, exorcismos e outras noções práticas para eruditos. 


Como não poderia deixar de ser, um livro conhecido como "A Bíblia do Diabo" naturalmente se torna uma espécie de para-raios de superstições e narrativas bizarras. Uma das mais conhecidas lendas diz que quando o livro é deixado fechado por muito tempo, acaba se abrindo por conta própria, sempre na mesma página... a do retrato do diabo.
Outra lenda ligada ao livro diz que alguns trechos escondem encantamentos diabólicos e rituais de magia negra que podem ser decifrados a partir do estudo de alguns trechos. Ler o livro em algumas noites pré-determinadas também seria nocivo, pois nessas datas específicas alguns trechos mudavam e incluíam louvores satânicos. Finalmente, a imagem diabólica teria a propriedade de permitir que o leitor se comunicasse com o próprio demônio ao encarar seus olhos por tempo suficiente e pedir uma audiência com ele.   
Passados tantos anos, a "Bíblia do Diabo" ainda mantém a sua aura mística. Prova disso é o sucesso de uma exposição organizada em 2007 que trouxe o Codex Gigas de volta a Praga, 357 anos depois dele ter sido removido.

Na ocasião, filas de curiosos se formaram na Biblioteca Nacional, todos ansiosos para ter um vislumbre do misterioso livro. E com certeza, muitos esperavam pela oportunidade de olhar nos olhos da misteriosa imagem e saber se as lendas podem ser verdadeiras...



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O Manuscrito Voynich - Lendas, Rumores e Boatos sobre o mais enigmático manuscrito do mundo


Na Biblioteca Beinecke reservada para os livros mais raros de Yale encontra-se o mais enigmático manuscrito do mundo. Classificado como Manuscrito 408, trata-se de um livro com aproximadamente nove polegadas de comprimento e 235 páginas (embora algumas páginas tenham se perdido). A escrita usada no documento é única e suas páginas são ilustradas com uma infinidade de gravuras e diagramas: plantas, mulheres nuas em banhos públicos, mapas astronomicos, fórmulas químicas e outros temas curiosos.

O Manuscrito Voynich tornou-se o foco de intensa discussão acadêmica desde sua descoberta, e alguns dos melhores criptógrafos do mundo vem tentado inutilmente quebrar seu código secreto há décadas. Ao longo de sua história, "o mais misterioso manuscrito do mundo" teve sua origem muito debatida entre estudiosos. A verdade é que até hoje ninguém sabe precisar quem teria escrito o Manscrito, qual o idioma usado e quais os segredos que ele guarda. 


O Manuscrito nos Tempos Medievais

A primeira menção conhecida ao Manuscrito Voynich surgiu na Corte de Imperador Rudolph II do Sacro Império Romano Germânico. Rudolph (1552-1612) era um governante fraco que manteve o poder apenas até os arquiduques Hapsburgos retirarem seu apoio e o substituir pelo seu irmão Mathias. Para Rudolph assuntos de Estado eram muito menos importantes que ciência e alquimia. Sua corte em Praga se tornou a capital para homens letrados, estudiosos - incluíndo o astrônomo Johannes Kepler - e charlatães de toda a Europa. Todos buscavam o favor do Imperador que cobria seus cientistas favoritos com riqueza.

Foi nessa época que Rudolph II adquiriu o Mauscrito Voynich, comprado de um vendedor desconhecido pelo montante de 600 ducados - uma quantia inacreditável para um livro que ninguém era capaz de ler. Fontes afirmam que o Imperador acreditava que o livro fora escrito por Roger Bacon (c. 1220-1292), um famoso monge inglês.



Roger Bacon era um grande pensador e passou a maior parte de sua vida estudando a filosofia, ciência e alquimia. Ele fez relativamente poucas descobertas científicas (embora ele tenha investigado a natureza da luz e proposto o uso de pólvora para a guerra), mas é melhor conhecido por suas idéias inovadoras na criação de um procedimento de experimento como forma de descoberta.

Alguns historiadores afirmam que Bacon além de ser um alquimista era também um mago, envolvido com magia e evocação de anjos. Seus pontos de vista incomuns e rivalidade com seus colegas acadêmicos lhe renderam muitos inimigos e no final da vida ele foi preso por razões desconhecidas.

Entre seus trabalhos mais importantes despontam Opus Major, Opus Minus e Opus Tertius que são consideradas obras essenciais na história das ciências. Muitos estudiosos afirmam entretanto que o Manuscrito Voynich não foi escrito por Bacon.

Não há menção nenhuma a esse livro em sua biografia e uma obra desse tamanho sem dúvida chamaria a atenção. Bacon tinha conhecimento de criptografia - aliás como boa parte dos estudiosos da época - mas se o documento foi escrito com um alfabeto codificado, trata-se de algo muito mais complexo do que qualquer código secreto empregado no Século XIII.

Alguns apontam para uma inscrição no livro que identificaria Bacon como o verdadeiro autor, mas tudo indica que esse trecho tenha sido o trabalho inteligente de um falsário. Um livro creditado a Bacon, afinal de contas, teria grande valor. Outras evidências contidas nas págians do manuscrito, tais como diagramas do que parecem ser plantas do Novo Mundo, sugerem que o Manuscrito Voynich não pertence a época de Roger Bacon.

Se o Mauscrito não é um trabalho de Roger Bacon, então quem é o responsável por ele? É possível que o responsável seja outro indivíduo extremamente enigmático, o médico e mago da Rainha Elizabeth I, John Dee (1527-1608).

Entre 1584 e 1588, Dee visitou Praga várias vezes como convidado de Rudolph II. Sabe-se que Dee tinha muito interesse em Criptografia, e possuía uma grande coleção de livros que pertenceram a Roger Bacon em sua biblioteca. Além disso, durante sua estadia em Praga, Dee mencionou em um de seus diários o pagamento de 630 ducados, aproximadamente o mesmo valor desembolsado por Rudolph II para comprar o livro.

Alguns também afirmam que a caligrafia usada para numerar as páginas do livro é muito semelhante a letra de Dee. Então seria possível que o manuscrito tivesse chegado às mãos do Imperador através de Dee.

Após seu surgimento em Praga, o manuscrito se tornou conhecido na corte. Testes revelaram que a assinatura de Jacobus de Tepenecz, um botânico e alquimista à serviço de Rudolph II, está na primeira página do livro. Acredita-se que o Imperador tenha emprestado o livro a Tepenecz por volta de 1610 para que ele tentasse traduzir suas páginas e que por ocasião da morte de Rudolph o livro tenha ficado com o botânico.

Ele então passou por várias pessoas, até ser deixado como herança para um filósofo italiano chamado Joannes Marcus Marci (1595-1667). Pouco antes de morrer, Marci enviou o manuscrito para seu amigo Athanasius Kircher (1602-1680). Kircher foi o criador da "Lanterna Mágica" (um tipo de ancestral do projetor de slides) e era considerado um expert em criptografia. Ele tentou sem sucesso decodificar o Manuscrito Voynich e antes de sua morte o livro desapareceu sem deixar vestígios.


A Redescoberta

Em 1912, um negociante de livros raros chamado Wilfrid M. Voynich encontrou o manuscrito oculto no fundo de um antigo baú em Frascati, Itália. O livro estava junto com outros volumes que traziam o carimbo de bibliotecas particulares de casas nobres italianas. Como ele apareceu na Itália ninguém sabe ao certo. Voynich já havia ouvido falar a respeito do Manuscrito e ansioso por desvendar o mistério enviou cópias do alfabeto misterioso para experts em criptografia. A maioria afirmou que seria capaz de quebrar o código rapidamente, mas nenhum deles conseguiu obter sucesso.

A primeira das muitas "soluções" para o mistério apareceu em 1921, quando o Professor William Romaine Newbold da Universidade da Pennsylvania alegou ter decifrado o enigma. O primeiro estágio para desvendar o código, de acordo com Newbold, era compreender que cada letra do misterioso alfabeto era uma corruptela de um alfabeto grego antigo. Para decifrar o texto, era necessário submeter as palavras a um complicado processo envolvendo duplicar letras, usar pares de palavras para criar novos símbolos, alterar a fonética e re-arranjar as letras em uma sequência específica (entendeu? pois é, nem eu!).

Os estudiosos concordaram que era um processo extremamente complicado e lançaram dúvidas sobre sua validade. Newbold anunciou que o Manuscrito Voynich havia realmente sido escrito por Roger Bacon (como supunham alguns) e que o conteúdo era incrível. Segundo a versão de Newbold, Bacon tinha vasto conhecimento de fatos científicos que apenas seriam descobertos séculos depois, tais como a existência da Nebulosa espiralada de Andromeda, a construção de lentes para observação astronômica e o processo de criação de ligas metálicas. A descoberta deveria ser uma das mais significativas da história e colocaria Bacon entre os maiores cientistas de sua época, talvez de todos os tempos.

Newbold morreu em 1927, e seu trabalho "O Código de Roger Bacon" foi publicado no ano seguinte. Após a euforia, muitos estudiosos começaram a expressar suas dúvidas a respeito do processo empregado por Newbold.


O maior crítico da teoria era John M. Manly, que demoliu as alegações de Newbold em um artigo escrito em 1931 e publicado no Speculum, uma respeitada revista sobre estudos medievais. Manly começou apontando que o suposto alfabeto grego pouco conhecido era na verdade o resultado do clareamento natural da tinta que estava se apagando.

Ele comentou que mesmo se o alfabeto tivesse existido, o sistema de Newbold de re-arranjar as letras poderia gerar centenas de traduções possíveis de cada trecho. Além disso, os textos traduzidos por Newbold continham uma série de erros históricos, e muitos deles pareciam ser produto da imaginação do professor.

Com a publicação desse artigo bombástico, o patrocínio ao programa que visava decifrar o manuscrito desapareceu. Com o passar dos anos, novas teorias emergiram. Joseph Feely apresentou sua "decifração" mediante análise das gravuras e uso de latim abreviado.

Leonell Strong acreditava que o livro era um tratado sobre ginecologia escrito em um alfabeto inglês arcaico. Robert Brumbaugh afirmava ter solucionado o enigma sobre as legendas em algumas ilustrações, mas não conseguiu traduzir o texto principal, o que o levou a concluir que o livro era escrito com mais de um código criptográfico. Um dos mais recentes exemplos de esforço para decifrar o livro foi feito por Leo Levitov que afirmava ser o livro um Manual Litúrgico usado pelos Cátaros - um secto religioso cristão considerado herético na Idade Média. Levitov acreditava que o livro havia sido escrito em um alfabeto secreto usado pelos patriarcas cátaros que haviam sido exterminados durante a perseguição religiosa. No final das contas, nenhuma das soluções foi capaz de solucionar o mistério.

Voynich faleceu em 1930, e sua viúva manteve o livro até 1960. Por algum tempo ele ficou em poder de A. M. Nill, um sócio de Voynich que o vendeu em 1961 para o negociador de livros Hans P. Kraus. Kraus tentou vender o livro por uma quantia astronômica, mas ninguém teve interesse de adquiri-lo. Frustrado ele resolveu doar o volume misterioso para a Biblioteca Beinecke de Yale.

O manuscrito ainda atrai muita atenção do público. Mesmo depois de tantos anos de esforços por criptógrafos, não é possível sequer afirmar qual o idioma usado em suas páginas. Alguns acreditam que a maior parte dos textos são compostos de um alfabeto falso e que apenas alguns trechos realmente poderiam ser decifrados. Outros defendem que o livro foi escrito por alguém tentando criar um idioma artificial, ou quem sabe ele tenha sido concebido como um elaborado trabalho de arte.

Muitos especialistas em criptografia que lidaram com o Manuscrito Voynich acreditam que não existe uma tradução coerente, entretanto novas gerações ainda tentarão decifrar os mistérios antes dese darem por vencidos. 


Colin Wilson, O Manuscrito Voynich e o Necronomicon

Antes de tudo é preciso deixar uma coisa bem clara. O Necronomicon nunca existiu, trata-se de uma obra de ficção inventada por H.P. Lovecraft. Mas é impressionante quantas pessoas acreditam (ou pior) querem acreditar que ele existiu - ou ainda existe.

O Documento Voynich por algum tempo ofereceu a esses defensores de teorias conspiratórias um alento e uma possibilidade de que o famoso livro blasfemo seria na verdade o próprio Manuscrito Voynich escrito em um idioma secreto para preservar assim os seus segredos profundos.

O elo entre esses dois misteriosos tomos - Voynich e o Necronomicon - foi levantado primeiro pelo escritor britânico e membro do Círculo lovecraftiano Colin Wilson. Wilson tratou a ficção de Lovecraft de forma bem crítica em seu livro "The Strength to Dream", e escreveu seu primeiro conto envolvendo o Mythos, "The Mind Parasites", em resposta a um desafio de August Derleth para que ele escrevesse no estilo consagrado por Lovecraft.

Wilson escreveu relativamente poucas estórias sobre o tema, mas muitos fãs consideram seus contos clássicos do gênero. A primeira vez em que Wilson mencionou o Manuscrito Voynich foi no conto "The Return of the Lloigor", publicado pela editora Arkham House, na antologia "Tales of the Cthulhu Mythos".

O protagonista de "Return" é o Professor Paul Lang da Universidade da Virginia. No conto, um conhecido do Professor lhe envia uma fotocópia do Manuscrito Voynich, que estava em poder da Universidade de Pennsylvania (na época ele estava sendo examinado por Newbold). Enquanto Lang está fazendo uma cópia, ele conhece um fotógrafo profissional, que está trabalhando em uma série de fotografias coloridas do mauscrito. O professor percebe que existem linhas desbotadas no manuscrito original que aparecem nas fotografias, preenchendo estas linhas ele consegue formar palavras que tornam possível decifrar o manuscrito. Ele logo descobre que o livro foi escrito em árabe - ou melhor em Grego, usando o alfabeto árabe. Quando finalmente termina o trabalho, conclui que o manuscrito foi escrito por um certo Martin Gardner e é a compilação de outro manuscrito mais antigo identificado como "um completo relato científico do universo" ou "um documento medieval a respeito de magia, ciência e especulação pré-Copérnica".

O Professor Lang não tem nenhum conhecimento a respeito do Necronomicon, e é surpreendido ao saber que Lovecraft supostamente o inventou. Ele percebe que há elementos no Manuscrito Voynich que se referem a ficção inventada por Lovecraft e Arthur Machen (um autor galês de fantasia que influenciou Lovecraft), e desenvolve uma teoria de que os escritores teriam lido uma outra cópia do mauscrito em suas carreiras. Ele é incapaz de determinar quando Lovecraft teve acesso ao texto, mas descobre que Machen pode ter lido um texto semelhante em suas pesquisas em Lyon ou Paris, onde tal documento estaria em poder de um Círculo de Satanistas.

Lang decide procurar pelo Manuscrito em Melincourt, cidade natal de Arthur Machen. Após chegar ao interior do País de Gales, o professor acaba se envolvendo com uma conspiração engendrada por entidades inumanas conhecidas como lloigor. O que levou Colin Wilson a relacionar os dois livros? A melhor teoria é que em algum momento da história do Necronomicon e do Manuscrito Voynich, ambos estiveram ligados a John Dee.

Na vida real, John Dee pode ter sido o responsável por vender o Manuscrito ao Imperador Rudolph II, e na ficção lovecraftiana, Dee é o responsável pela tradução do Necronomicon para o idioma inglês. A única falha nessa hipótese é que Wilson não menciona Dee em momento algum de seu conto.

Wilson aborda novamente o Manuscrito Voynich no final de sua novela "The Philosopher's Stone". Ao longo da trama, Howard Lester e seu colega Sir Henry Littleway aprendem a usar suas faculdades psíquicas para evitar os efeitos do tempo e desenvolver capacidades mentais notáveis. A medida que eles obtém êxito em suas experiências, eles passam a ser perseguidos por uma série de calamidades. Os dois quase morrem em um acidente automobilístico, o irmão de Littleway, é acusado de agredir uma mulher e estudiosos que eram amigáveis se tornam hostis.

Lester eventualmente percebe que esses acontecimentos estão ligados ao controle mental exercido por entidades conhecidas como Os Grandes Antigos. Eles então começam a pesquisar a respeito desses seres, e durante sua busca pela mitologia do Mythos ficam sabendo a respeito de Lovecraft e Necronomicon.

Certa noite, Lester descobre que Roger Littleway estabeleceu contato mental com os Antigos. Osdois ficam sabendo através desse contato que um volume verdadeiro do Necronomicon está escondido na Biblioteca da Universidade da Pennsylvania sob um nome falso. Quando eles chegam ao lugar encontram o sobrinho do Professor Paul Lang (do conto "Retun of the Lloigor") que revela ser o Manuscrito uma versão do Necronomicon. Seguindo as indicações de Lang, eles começam a traduzir o livro. O mais tenebroso dos aspectos do Manuscrito Voynich, entretanto não é o texto em si. Ao manipular o livro, Lester e Littleway descobrem que desenvolveram psicometria - a faculdade psíquica que permite ler a história de objetos pela manipulação dos mesmos. A leitura do Manuscrito faz com que eles terminem por quase despertar um dos poderosos Antigos que estava hibernando.

O boato sobre a suposta conexão entre "O Manuscrito Voynich e o Necronomicon" pode ser atribuído a dois fatores. A ficção de Colin Wilson; "Return" apareceu primeiro em Tales of the Cthulhu Mythos, talvez a mais importante antologia escrita sobre o Mythos de Cthulhu. E ao estilo de Wilson, que consegue a façanha de misturar fato e ficção de tal forma que é difícil separar um do outro. Lovecraft também dominava essa técnica, mas Wilson consegue inserir elementos tão verossímeis que a realidade e ficção se fundem nas suas tramas.

Um leitor desinformado ao saber da existência do Manuscrito Voynich pode supor que o Necronomicon também existe. Wilson parecia estar ciente do que havia criado. Certa vez, ele comentou que recebia frequentemente cartas de leitores que afirmavam possuir exemplares verdadeiros do Necronomicon ou que haviam quebrado o código Voynich e descoberto que o autor estava certo. Percebendo o boato que havia iniciado, Wilson pediu que seus editores publicassem um comentário nas edições em que suas estórias fossem publicadas, informando aos leitorres que o Manuscrito Voynich real jamais havia sido traduzido.

De pouco adiantou. Ficção se misturou de tal maneira à realidade que muitos hoje em dia acreditam não apenas que o Necronomicon existe, mas que o Manuscrito Voynich é verdadeiramente uma cópia da "Bíblia do Mythos". Teoristas da conspiração afirmam ainda que especialistas em criptografia conseguiram traduzir o Manuscrito na íntegra, mas que o segredo contido em suas páginas é tão tenebroso, tão assustador que os acadêmicos julgaram necessário censurar sua divulgação para o público em geral.

A verdade provavelmente só saberemos se um dia o Manuscrito Voynich for realmente decodificado. Infelizmente até o momento não houve progresso nesse sentido e o Manuscrito permance como um dos grandes enigmas do mundo.




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