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18 de agosto de 2012

A Cabala e os Anjos


O povo judeu, ao longo de sua existência, sofreu continuas perseguições e exílios. Desde o período bíblico, com os cativeiros no Egito e na Babilônia até sua execução em massa na Alemanha nazista, sua expulsão da Espanha e da Inglaterra, entre tantos outros acontecimentos, sempre se mantiveram unidos como um povo, mantendo intactas sua cultura e sua língua. Para isso, valiam-se da Cabala, que condensa seus ensinamentos religiosos e, ao mesmo tempo, protege-os da extinção, pois é tão complexa e de difícil interpretação que poucos a ela têm acesso.

A palavra Cabala vem de uma raiz hebraica KBL, ou receber e, segundo consta, surgiu no primeiro século depois de Cristo. Seus livros mais importantes são o Zohar, ou Livro do Esplendor, o Livro da Criação e o Livro da Imagem.

A correta interpretação desses textos revelaria o mapa a ser trilhado pelas almas para percorrer esse caminho de volta ao seu Criador.

 Através da numerologia, que se vale dos algarismos de 1 a 9, muitas revelações vão surgindo aos olhos do iniciado e dos poucos que tem o privilégio de compreenderem suas mensagens ocultas.

De qualquer forma, preciosas informações já foram assimiladas pelos estudiosos do assunto, fornecendo regras para o entendimento, ainda que precário, da relação dos homens com os Anjos e de como ter acesso a estes. Angelólogos se debruçaram sobre isso ao longo dos séculos, chegando às informações que, hoje, já se encontram consolidadas e à disposição de quem delas queira fazer uso.

Para descobrirem os nomes dos Príncipes e dos Anjos de cada uma das falanges, os cabalistas partiram de um número inicial, o 72, que nada mais é que o resultado da inscrição do nome de Deus, Ieve ou Jehovah, dentro de um triângulo considerado sagrado e chamado de Tetragramaton, com a seguinte configuração:

I
I E
I E V
I E V E

Nesse triângulo, o I eqüivale a 10, porque corresponde a YOD, décimo caracter do alfabeto hebraico, que simboliza tempo, espaço, ciclos de existência, tudo que nasce, cresce, se reproduz e desaparece. O E eqüivale a HE, equivalente a 5, significando a dualidade do ser diante da natureza e do universo. O V corresponde a VAU, equivalente a 6, simbolizando a presença do espírito. Aplicando isso às letras do Tetragramaton, temos:

10
10 + 5
10 + 5 + 6
l0 + 5 + 6 + 5

Efetuando-se essa soma, obtém-se o 72, que foi a base inicial para a descoberta dos nomes dos Anjos. Esse número aparece, também, em outras passagens bíblicas. 72 nações e línguas se originaram da intervenção de Deus na Torre de Babel. Em todas essas línguas, o nome de Deus sempre foi escrito com 4 letras. Eram 72 os anciãos das sinagogas e são 72 também o número de quinários, graus ou dias, do ano cabalístico, que se inicia em 20 de março, no signo de Áries.

A partir desse número, os cabalistas descobriram que os versículos 19, 20 e 21 do Capítulo 14 do Êxodo, tinha cada um deles 72 caracteres hebraicos. Na tradução de João Ferreira de Almeida, são os esses os versículos citados:

(Ex 14:19)
"E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs atrás deles."

(Ex 14:20)
"E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridade para aqueles e para estes esclarecia a noite; de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro."

(Ex 14:21)
"Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se seco e as águas foram partidas."

Para chegar a esses nomes, os versículos foram dispostos paralelamente e os primeiros caracteres da esquerda dos versículos 19 e 21 foram ligadas ao primeiro letra da direita do versículo 20. Aos três caracteres resultantes foram acrescentados a terminação HE ou VAU, extraídas do sagrado nome de Deus. Feito isso, o processo é repetido com os segundos caracteres, até completar todos os setenta e dois.

Reduzindo-se numerológica e cabalisticamente o número 72, temos 7 +2= 9. Nove foram, portanto, as falanges, cada qual com 8 Anjos, mais um Príncipe comandante, assim como nove eram os planetas do ano cabalístico. Desse conhecimento surgiram os nomes dos Príncipes, totalizando 81 Anjos, cuja redução numerológica e cabalística também resulta em 9, como toda a hierarquia angelical, diga-se de passagem.



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Uma visão dos anjos


A palavra Anjo vem do grego Angelus, que quer dizer mensageiro, em Hebraico, Malak’l.

Na Bíblia, alguns opinam que cada pessoa tem um Anjo da guarda. Se Deus é considerado uma potência de inteligência, quando usamos a nossa capacidade intelectual de um modo correto, estamos atuando com uma porção angelical muito forte. Ficar em sintonia com seu anjo guardião é neutralizar, acabar com a força do gênio contrário

Quando pensamos, estamos com Deus e com os Anjos.Os Anjos são serem inteligentes, e manifestam-se nos homens através de pensamentos e idéias. Eles jamais nos abandonam, não se alimentam e não se refazem através do sono e se quer sofrem a ação do tempo.

Os Anjos não entendem as nossas palavras. Nossa aura muda de cor conforme a situação que estamos vivendo ou com o nosso sistema nervoso. E é justamente através da cor da nossa Aura e de suas mudanças que os anjos nos entendem e tentam nos auxiliar.

Quando fazemos uma oração, nossa aura também muda de cor, fazendo-os compreender o que estamos pedindo.

Muitas pessoas nunca viram um Anjo, pois a nossa Aura é dissonante para eles. Os anjos são seres muito delicados e puros, por isso, o nosso ambiente é muito denso para eles.

As crianças têm mais facilidade para vê-los por serem mais puras e por possuírem uma espécie de retina menos desgastada pelo tempo.O nosso estado de humor também é muito importante para eles entrarem em contato conosco.Se estamos alegres, bem, a nossa aura se expande. Quando estamos tristes, a nossa Aura diminui e o Anjo não atua. Quando isso acontece, nosso Anjo da guarda pede para que outro Anjo nos ajude.Lembre-se que a crença em Deus nos dá força e inteligência, e crenças cegas ou fanáticas não são de Sua vontade.

Acender uma vela para seu anjo todos os dias, como muitas pessoas fazem, é bom e natural, mas você não deve deixar sua vida pessoal de lado, para cultuá-los. Muito pelo contrário, eles querem justamente o oposto de você. Só conseguimos a harmonização dos anjos com as coisas Terrenas quando pensamos, pois assim estamos criando um elo mental entre nós e eles. Não persista no fanatismo aos Anjos. Eles sentirão que você não está em sintonia com eles, e acabarão por se afastar.

Seu Anjo da guarda pessoal está com você desde o seu nascimento e ali permanece até a hora de seu desencarne, e irá orientar você em seu próximo estágio de aprendizado de Eu superior, juntos aos grandes mestres ascensionados, para um possível retorno à Terra.

Os Anjos são seres muito inteligentes. Não possuem corpos, e assim, não se deterioram. São assexuados e não se multiplicam. Seu número não aumenta, nem diminui; ou seja, são imortais.



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17 de agosto de 2012

Mistérios elucidados sobre os maçons



Por Texto Eduardo Szklarz, de Buenos Aires


maçonaria já foi acusada de tudo: fazer rituais sinistros, promover orgias, querer dominar o mundo... Até de estar por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador. Muita gente acredita que a organizaçãocontrola governos e que seus integrantes usam cargos públicos para se ajudar mutuamente. Os maçons, no entanto, garantem que quase tudo isso é besteira. Eles não passariam de um grupo filosófico, filantrópico e progressista. Reconhecem que ajudam uns aos outros, mas que o dever de auxiliar um irmão está sempre sujeito à obrigação maior de cumprir a lei. Afinal, qual é a verdade sobre essasociedade secreta?
Para começar, a maçonaria não é tão secreta assim. Em vários países, inclusive no Brasil, todo mundo sabe onde ficam as lojas maçônicas e quem são seus membros. Maçons publicam revistas e divulgam suas idéias em sites da internet. E, se antes mantinham seus templos imersos numa aura de mistério, hoje permitem visitas. Nossa reportagem entrou no templo da Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, situada na rua Perón, 1242, em Buenos Aires. Durante 3 horas, conversamos com diversos integrantes da maçonaria – e muitos nos entregaram cartões em que se identificavam como membros da ordem.
A julgar por iniciativas desse tipo, parece que a organização nunca foi tão aberta como hoje. Será que o grande segredo da maçonaria é não ter segredo algum, como dizem alguns irmãos? Pode ser. Mas o certo é que eles ainda mantêm sessões a portas fechadas. Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Grande Loja da Argentina, tem uma explicação para isso. “A maçonaria não é secreta, mas discreta. As cerimônias que realizamos aqui só interessam a nós, são reservadas aos iniciados.” Para Clavero, é exatamente o que ocorre em qualquer reunião, seja de condomínio ou da diretoria de uma multinacional. “Se você não é dono de um apartamento no prédio ou diretor da empresa, não vão deixá-lo entrar.

VÁRIAS MAÇONARIAS

O argumento do grão-mestre faz sentido. Por outro lado, diretores de empresas não costumam se reunir para debater filosofia, vestidos com aventais coloridos e rodeados de objetos simbólicos. Além disso, nem você nem seus vizinhos de apartamento precisam jurar segredo absoluto sobre o que foi discutido na reunião de condomínio. Na maçonaria, é assim que as coisas funcionam. Para entender os porquês disso tudo, o primeiro passo é levar em conta que não existe uma só, mas várias maçonarias.
organização é uma rede global, hoje composta de cerca de 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Os rituais variam muito, de um país para outro. Cada loja tem autonomia, mesmo que pertença a uma federação nacional ou continental. Algumas usam a Bíblia em suas reuniões. Outras, a Torá ou o Alcorão. Essa diversidade permite que os símbolos maçônicos tenham várias interpretações. E foi graças a ela que personalidades extraordinariamente distintas já vestiram o avental da irmandade: de Mozart a dom Pedro 1º, de Winston Churchill a Hugo Chávez (leia mais no quadro das págs. 14 e 15).
Mas as maçonarias também têm muito em comum. Todas elas, independentemente do país, defendem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Veneram o Grande Arquiteto do Universo – como se referem a Deus. E exigem requisitos dos iniciados, que, depois de passar por uma cerimônia de iniciação, vão galgando postos e acumulando mais e mais conhecimentos. Embora proíbam falar de política e religião dentro do templo, os maçons continuam tendo o poder e a influência de sempre. A mesma que eles usaram para orquestrar capítulos decisivos da história, como a independência do Brasil, dos EUA e de quase todos os países da América Latina.
A origem da maçonaria é um mistério até para os maçons. Uma das teorias diz que ela surgiu há cerca de 3 mil anos, durante a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. O rei israelita teria recrutado o arquiteto Hiram Abif, mestre na arte de talhar pedras, que ensinava os mistérios do ofício apenas a pedreiros escolhidos a dedo. No fim da obra, 3 artesãos exigiram que ele lhes contasse os segredos. Abif recusou-se e acabou sendo assassinado por isso.
O martírio do arquiteto jamais foi comprovado. Mesmo assim, significa muito para os maçons. Em The Meaning of Masonry (“O Significado da Maçonaria”, inédito no Brasil), o maçom britânico W.L. Wilmshurst interpreta a morte do mestre como um desastre moral para a humanidade – como se a chama do conhecimento tivesse sido apagada. “Agora, neste mundo escuro, ainda temos os 5 sentidos e a razão, que vão nos proporcionar os segredos substitutos”, escreve Wilmshurst. A maçonaria, portanto, seria um sistema filosófico que discute o Universo e nosso lugar dentro dele. Quanto mais o maçomsobe os degraus da confraria, mais perto ele chega da Luz – ou seja, o pensamento racional.
Outra tese afirma que os maçons são herdeiros dos templários, os cavaleiros que viajaram à Terra Santa no século 12 para defender os cristãos, mas acabaram perseguidos pela Igreja. E existe também quem defenda uma origem ainda mais remota, no Egito dos faraós ou na Grécia antiga. Para a maior parte dos historiadores , contudo, foi na Europa medieval que a maçonaria assentou suas bases. Ela teria começado na forma de sindicatos de pedreiros (masons, em inglês), que construíam monumentos para religiosos e monarcas – entre eles a Ponte de Londres e a Catedral de Westminster, também na capital da Inglaterra.
“Os pedreiros ingleses almoçavam e deixavam suas ferramentas em pequenas casas chamadas lodges [lojas]”, explica o jornalista americano H. Paul Jeffers no livro Freemasons (“Maçons”, sem tradução para o português). Assim como Abif, eles mantinham em segredo seus métodos de construção, pois eram a garantia de melhores salários.
Esses sindicatos floresceram até o século 16, quando os pedreiros tiveram uma surpresa. Abalada pela Reforma Protestante e pela rixa com o rei Henrique 8º, a Igreja parou de construir catedrais. Resultado: contratos para novas obras minguaram. “A maçonaria entrou em crise e sofreu uma grande mudança. Tudo que era ligado à prática do ofício na pedra passou a ser alegórico, e as ferramentas viraram símbolos na contemplação dos mistérios da vida”, diz Jeffers. A ordem deixou de ser “operativa” para ser “especulativa”. E as lojas maçônicas passaram a interpretar esses símbolos por meio de conceitos morais, éticos e filosóficos. A sociedade foi aberta a outros profissionais, como os cientistas, e deixou-se influenciar até pela alquimia.
Em 1717, 4 lojas de Londres se uniram na Grande Loja Unida da Inglaterra, que marcou o início damaçonaria atual. Em 1723, o maçom James Anderson compilou a tradição oral da irmandade numa constituição, cujos lemas eram ciência, justiça e trabalho. Quem não gostou de nada disso foi a Igreja, sentindo seu poder ameaçado por um grupo que rejeitava dogmas, aceitava seguidores de outras crenças e era contra a influência da religião na vida pública. Pior: discutia seus assuntos em segredo, o que só aumentava a desconfiança da Santa Sé. Em 1738, o papa Clemente 12 emitiu uma bula em que excomungava a maçonaria – ratificada em 1983 pelo cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16.
O tiro saiu pela culatra. Quanto mais a maçonaria era difamada, mais ela atraía revolucionários – entre eles, o libertador sul-americano Simon Bolívar e o herói da independência americana Benjamin Franklin. A Revolução Francesa também assumiu os valores maçônicos, mas não com a intensidade que muitos imaginam. “Do mesmo jeito que alguns revolucionários franceses eram maçons, como Jean-Paul Marat, alguns opositores da revolução também eram”, diz o historiador inglês Jasper Ridley no livro The Freemasons (“Os Maçons”, inédito no Brasil). No século 20, a Igreja continuaria no encalço damaçonaria.


CÓDIGOS SECRETOS

história de perseguição explica por que os maçons desenvolveram códigos para se reconhecer no meio de outras pessoas. No aperto de mão, por exemplo, um tocaria com o indicador no pulso do outro. Ao se abraçar, eles colocariam um braço por cima, outro por baixo, em X, e bateriam 3 vezes nas costas. Mais uma forma de comunicação em lugares públicos seria ficar em posição ereta e com wos pés em forma de esquadro.
Em seus textos, os maçons abreviam as palavras usando 3 pontos em forma de delta. Exemplos: “Ir” é irmão, “Loj” é loja. Hoje, boa parte desses segredos já virou de domínio público. Tanto que o termo usado pelos maçons para se referir a Deus – Jahbulon, resultado da união dos nomes Javé, Baal e Osíris – aparece em quase 30 mil páginas na internet.
Para ingressar na maçonaria, é necessário ter ficha limpa, ser maior de idade e acreditar em um deus, seja ele qual for. O candidato precisa ser convidado por um maçom e só se torna aprendiz após ser aceito numa cerimônia de iniciação no templo, onde se compromete a não revelar o que escutar ali dentro.
“Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”, diz o grão-mestre argentino Jorge Clavero. “A maçonaria não é como um partido político, que fixa posições. Ela atua na sociedade por meio de seus homens, silenciosamente. O iniciado faz sua obra entre a família, os amigos e em seu local de trabalho.”

Degraus do conhecimento

No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas o de York prevalece no resto do mundo

RITO ESCOCÊS

1º grau - Aprendiz iniciado
2º grau - Companheiro de ofício
3º grau - Mestre maçom
4º grau - Mestre secreto
5º grau - Mestre perfeito
6º grau - Secretário íntimo
7º grau - Preboste e juiz
8º grau - Intendente dos edifícios
9º grau - Mestre eleito dos 9
10º grau - Mestre eleito dos 15
11º grau - Cavaleiro eleito dos 12
12º grau - Grão-mestre arquiteto
13º grau - Mestre do 9º arco
14º grau - Grão-eleito perfeito e sublime
15º grau - Cavaleiro do Oriente
16º grau - Príncipe de Jerusalém
17º grau - Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18º grau - Cavaleiro Rosacruz
19º grau - Grão-pontífice
20º grau - Mestre ad Vitam
21º grau - Patriarca noaquita
22º grau - Príncipe do Líbano
23º grau - Chefe do tabernáculo
24º grau - Príncipe do tabernáculo
25º grau - Cavaleiro da serpente de bronze
26º grau - Príncipe da mercê
27º grau - Comendador do templo
28º grau - Cavaleiro do Sol
29º grau - Cavaleiro de Santo André
30º grau - Cavaleiro kadosh
31º grau - Grão-inspetor inquisidor comendador
32º grau - Sublime príncipe do real segredo
33º grau - Soberano grão-inspetor geral



RITO DE YORK

Mestre de marca
Past master (virtual)
Mui excelente mestre
Maçom do real arco
Mestre real
Mestre eleito
Mestre superexcelente
Ordem da Cruz Vermelha
Ordem dos Cavaleiros de Malta
Ordem dos Cavaleiros Templários

Rumo ao topo da pirâmide

A escalada na hierarquia pode levar uma vida inteira
A estrutura da maçonaria tem a forma de duas escadas que começam e terminam juntas. O 1º passo do candidato é se tornar aprendiz. O 2º nível é o de companheiro de ofício e o 3º, de mestre maçom. Os 3 degraus iniciais são comuns ao rito escocês e ao de York. Depois disso, quem quiser subir na hierarquia deve escolher entre os dois sistemas ritualísticos. No escocês são 33 graus, enquanto o de York tem apenas 10. A história dos ritos também é diferente: para muitos estudiosos da maçonaria, o ritual escocês foi fundado na França por imigrantes que fugiam de perseguições. Já o de York surgiu na cidade inglesa de mesmo nome, onde teria sido aberta a primeira loja maçônica da Grã-Bretanha. No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas estima-se que 85% dos maçons em todo o mundo pratiquem o de York.Alguns personagens importantes da tradição maçônica aparecem sobre os degraus desta ilustração, publicada pela primeira na revista americana Life, em 1956. Entre eles, o rei Salomão (indicando o caminho na base do rito escocês), que construiu o 1º Templo de Jerusalém, e George Washington (no 20º grau do mesmo rito, mestre ad Vitam), primeiro presidente dos EUA. Sob o arco estão as organizações irmãs da maçonaria. Mestres maçons são aceitos na Grotto e na Altos Cedros do Líbano. Meninas que têm um maçom na família podem ingressar na Filhas de Jó ou na Ordem das Garotas do Arco-Íris; mulheres, na Estrela do Oriente; e rapazes, na DeMolay. Apenas maçons de grau 32 e Cavaleiros Templários podem entrar para o Shrine. E a mulher de um Shrine pode ser uma Filha do Nilo.

Até na lua!

De presidente a astronauta, maçons que entraram para a história

GEORGE WASHINGTON - 1732-1799

Foi o primeiro e único a exercer ao mesmo tempo os cargos de mestre de uma loja e presidente dos EUA. Um terço dos presidentes americanos foram da maçonaria.

AMADEUS MOZART - 1756-1791

Um dos maiores compositores de todos os tempos, ingressou na maçonaria a convite de Joseph Haydn, outro gênio da música, membro de uma loja em Viena.

DOM PEDRO 1º - 1798-1834

Chegou ao posto de grão-mestre no Brasil. Deixou a maçonaria assim que foi declarado imperador e proibiu os trabalhos da organização no país, temendo que seu poder fosse contestado.

WINSTON CHURCHILL - 1874-1965

Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi iniciado em 1901, aos 26 anos de idade, na loja maçônica Studholme, em Londres, quando já era parlamentar.

HUGO CHÁVEZ - 1954-

Iniciado por um guarda-costas, segue os passos de outros maçons históricos que ele adora citar em discursos, entre eles: Simon Bolívar, José Martí e San Martín.

NEIL ARMSTRONG - 1930-

O primeiro homem a pisar na Lua era maçom. Ele teria vestido seu avental sobre o traje lunar durante a missão da Apolo 11, mas não há provas de que isso realmente tenha acontecido.

Para saber mais

• Freemasons
H. Paul Jeffers, Kensington Publishing, 2005 (em inglês).

Por dentro do templo maçônico

Um passeio pela Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, com explicação para tudo que você veria lá dentro

• ALTAR

Corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do antigo Templo de Jerusalém. A poltrona central é usada apenas pelo venerável-mestre, que conduz os rituais.

• COMPASSO E ESQUADRO

Remetem ao tempo em que os maçons eram pedreiros. Por desenhar círculos perfeitos, o compasso representa a busca da perfeição. Já o ângulo reto do esquadro sugere honestidade. A letra “G” vem de God – “Deus” em inglês.

• SOL E CÉU AZUL

São vários os significados atribuídos ao Sol na maçonaria. Rente ao teto do templo, ele pode ser interpretado como conhecimento e esclarecimento mental ou intelectual. O céu azul simboliza a natureza e o Universo.

• CIÊNCIA, JUSTIÇA E TRABALHO

Os 3 adultos à esquerda, neste quadro do italiano Enrique Fabris, representam a ciência (ancião com a tocha da razão), a justiça (mãe carregando o filho) e o trabalho (homem vigoroso com ferramentas). A esfinge central refere-se à sociedade iniciática e o longo caminho a ser seguido pelo homem na busca do conhecimento. O Sol simboliza a natureza, presente em seus 4 elementos: água, fogo, ar e terra. Deles, apenas a água não pode ser dominada pelo homem – daí o mar revolto no quadro.

• AVENTAL

Símbolo de trabalho, ele protege o maçom e indica seu grau (na foto, Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Loja Argentina de Maçons Livres e Aceitos). As luvas, sempre brancas, significam pureza, retidão moral e igualdade.

• ESTRELA DO ORIENTE

Com 5 pontas, ela simboliza o homem em seus 5 aspectos – físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual. Ao fundo, observa-se a pirâmide com o olho que tudo vê, uma alusão a Deus.

• PISO XADREZ

Representa povos do mundo unidos pela maçonaria. Os triângulos e quadrados simbolizam a harmonia que pode existir na diversidade. Também sintetizam os contrários: Bem e Mal, corpo e espírito.


  
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O que é a marca da besta (666)? É um mistério ?


Resposta: A passagem principal na Bíblia que menciona a "marca da besta" é Apocalipse 13:15-18. Outras referências podem ser encontradas em Apocalipse 14:9,11; 15:2; 16:2; 19:20; 20:4. Essa marca age como um "selo" para os seguidores do anticristo e o falso profeta (o porta-voz do anticristo). O falso profeta (a segunda besta) é aquele que leva as pessoas a aceitarem essa marca. Essa marca é literalmente colocada na mão ou na testa, e não é apenas um cartão que alguém carrega.

Os progressos recentes em tecnologias médicas para implantar chips têm aumentado o interesse na "marca da besta", a qual é mencionada em Apocalipse capítulo 13. É provável que a tecnologia que hoje vemos representa os primeiros passos do que pode eventualmente se tornar a "marca da besta". É importante que saibamos que um chip médico implantado não é a marca da besta. A marca da besta será algo dado apenas àqueles que louvam o anticristo. Ter um microchip médico ou financeiro inserido na sua mão direita ou testa não é a marca da besta. A marca da besta vai ser uma "marca" do fim dos tempos exigida pelo anticristo para comprar ou vender e será dada apenas àqueles que adoram ao anticristo.

Muitos expositores bons do livro de Apocalipse têm tido opiniões bastante diferentes sobre o que exatamente a marca da besta é. Além da opinião de uma "carteira de identidade", outros têm especulado que é um microchip, um código de barras que é tatuado na pele, ou simplesmente uma marca que identifica alguém como sendo fiel ao reino do anticristo. Essa última opinião exige menos especulação, já que não adiciona mais informação ao que a Bíblia nos diz. Em outras palavras, qualquer uma dessas idéias é possível, mas ao mesmo tempo são apenas especulações, então teremos que esperar e ver o que acontece. Não devemos perder muito tempo especulando sobre detalhes que vão além do que a Bíblia diz.

O significado de 666 também é um mistério. Recentemente, muitas pessoas especularam que havia uma conexão a 6 de junho de 2006 – 06/06/06. No entanto, de acordo com Apocalipse capítulo 13, o número 666 identifica uma pessoa, não uma data. Apocalipse 13:18 nos diz: “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis”. De alguma forma, o número 666 vai identificar o anticristo. Por séculos, intérpretes da Bíblia têm tentado identificar certos indivíduos com 666. Nada é conclusivo. Por isso Apocalipse 13:18 diz que o número requer sabedoria. Quando o anticristo for revelado (2 Tessalonicenses 2:3-4), vai ser claro quem ele é e como o número 666 o identifica.


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14 de agosto de 2012

O que é wingdings ?

A utilização da simbologia WINGDINGS, tem sido muito divulgada ultimamente na internet, nos jornais e na mídia em geral.

Principalmente depois do ataque terrorista de 11 de setembro. 

Para os céticos não passa de uma mera coincidência, uma brincadeira...  mas para alguns místicos a realidade é outra; as combinações que surgem, surpreendem, por vezes até assustam. Você também pode testá-la, basta abrir o Word da Microsoft, escreva a palavra desejada  para a conversão em letras maiúsculas, em seguida, selecione toda a palavra e altere a fonte  para  "WINGDINGS"  do Windows. Todos os computadores possuem estas fontes. 




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O SEGREDO DE RAGATANGA - MENSAGENS SUBLIMINARES SATANICAS


12 de agosto de 2012

"A Bíblia do Diabo" - O lendário Codex Giga


O que leva alguém a negociar com o diabo? E mais importante qual o valor de uma alma e o que poderia ser recebido em troca dela?

Na literatura, Fausto vende sua alma em troca da vida eterna, mas aprende da maneira mais difícil que a eternidade pode ser um pesadelo, ele vive para lamentar a barganha. O músico norte-americano Robert Johnson supostamente vendeu sua alma para se tornar o maior de todos os guitarristas de blues, mas foi amaldiçoado para sempre.


Para um monge da Bohêmia que redigiu as linhas do lendário Codex Gigas (pronuncia-se GUI-gas), obra também conhecida como "Bíblia do Diabo", a barganha envolveu trocar sua alma pela oportunidade de escrever o maior livro do Mundo Medieval.
A aura de mistério que envolve esta incrível artefato apenas se aprofundou nos últimos séculos, quando o imponente tomo, cujo nome se traduz literalmente como "Livro Gigante", continuou atraindo o interesse e despertando a curiosidade de todos que lançaram os olhos sobre ele. E não é de se admirar que o livro chame tanta atenção.
O Codex Gigas é o maior documento medieval conhecido. As páginas de velino grosso e amarelado foram supostamente confeccionadas com a pele esfolada de 160 burros que deram origem a um livro com notáveis 92 cm de altura, 50 cm de largura e 22 cm de espessura. As 310 páginas que o compõem são encerradas em uma volumosa encadernação com capa de madeira, couro reforçado e detalhes metálicos. O volume é tão pesado que são necessários dois bibliotecários para manuseá-lo.

O  manuscrito teria sido escrito no século XIII por um monge beneditino que vivia num isolado mosteiro em Podlažice na região da Bohêmia, que hoje corresponde a República Tcheca. Não se sabe quem foi seu autor e esse aliás é um dos grandes mistérios que cerca a obra.
Existe uma lenda muito antiga sobre a criação do Codex Giga. Segundo essa lenda, o responsável pelo trabalho foi um monge rebelde que rompeu com o rigoroso códigos de sua ordem. Por suas atitudes ele foi condenado a ser emparedado vivo em uma cela. Para evitar a agonia de morrer de fome e sede, o monge se comprometeu com seus superiores a escrever um tratado que glorificaria o nome da ordem para sempre. Esse maravilhoso livro deveria reunir todo o conhecimento humano em suas páginas e ser uma obra definitiva de erudição e sabedoria. Havia, no entanto, uma condição bastante específica: o monge teria apenas vinte e quatro horas para completar a tarefa. Imediatamente ele se pôs a compor uma vasta bíblia com uma caligrafia rebuscada e firme. Cada página de velino deveria ser decorada com belíssimas iluminuras feitas com uma tinta vibrante nas cores vermelha, azul, amarela, verde e dourado com um grau de detalhismo surpreendente. O religioso pensou que fazendo um trabalho extraordinário poderia convencer seus colegas a lhe poupar.

Diz a lenda que próximo da meia-noite o monge concluiu que não poderia completar sozinho a tarefa hercúlea. Desesperado, ele invocou o diabo implorando que este o ajudasse a terminar o trabalho no prazo estipulado. O demônio teria surgido no interior da cela e concordou em cumprir sua parte em troca da alma do monge. Sussurrando no ouvido do pobre coitado as palavras que deveriam ser escritas, o trabalho se intensificou: textos inteiros começaram a surgir nas páginas antes vazias, imagens detalhadas abrilhantavam cada folha, trechos de poesia se escreviam sozinhos e passagens das sagradas escrituras se multiplicavam. O diabo, além do preço pactuado, exigiu mais uma condição, uma grotesca imagem deveria ser incluída na obra. Na página 290 do tratado há uma ilustração de página inteira com uma figura sinistra identificada como um retrato do próprio demônio. Ironicamente, na página ao lado encontra-se uma ilustração do Paraíso criando uma contradição. Para alguns esse elemento alude ao fato de que Paraíso e Inferno co-existem lado a lado em uma espécie de equilíbrio perene. 


Com a ajuda do demônio, o monge conseguiu completar a obra e antes do surgimento dos primeiros raios de sol, o manuscrito estava pronto. Maravilhados com o resultado, e considerando que aquilo so podia ser uma inspiração divina, os monges libertaram seu colega. Imediatamente ele deixou o lugar sem olhar para traz. Algumas lendas afirmam, que quando já estava longe, ouviu-se os gritos aterrorizados dos monges ao de deparar com a ilustração da página 290 onde contemplaram a imagem do diabo.


A lenda é claro, não responde muitas questões sobre o Codex.

A primeira e mais importante pergunta envolve a identidade de quem o escreveu. O que se sabe com certeza é que o modesto monastério de Podlažice não se notabilizou por produzir qualquer outra obra dessa grandeza. A própria biblioteca do monastério não era grande ou especialmente equipada. Muitos historiadores chegam a levantar suspeitas de que o tratado não tivesse sido redigido nesse lugar, ainda que em uma das primeiras páginas do Codex se confirme textualmente essa informação. 


Alguns estudiosos supõem que o livro poderia ter sido adquirido de outro monastério por um abade interessado em dizer que o livro fora criado em  Podlažice e assim receber algum tipo de benefício da diocese. Mas essa hipótese encontra fortes objeções já que não havia muitos outros monastérios na região e transportar uma obra desse tamanho poderia ser não apenas trabalhoso, mas arriscado dado seu valor. Além disso, como os monges fariam para pagar um volume tão caro?


Supondo-se que o Codex Giga foi criado atrás dos muros de Podlažice é preciso imaginar como o trabalho foi realizado. Produzir uma manuscritos envolve um trabalho grandioso que podia demorar anos para ser concluído - isso excluindo a ajuda providencial do diabo.

Para alguns, a criação do Codex pode ter sido uma empreitada que envolveu todos os monges do monastério o que consumiu vários anos de trabalho concentrado. O objetivo poderia ter sido atrair o interesse da diocese através da obra e receber assim mais fundos. Isso talvez explique porque o monastério não produziu outras obras ao longo de sua existência, já que todos estariam envolvidos no mesmo projeto.


Mas se o livro decorre de um esforço comum deveria constar alguma menção a isso o que não é o caso.

Outra dúvida é que se o livro foi concebido para ganhar o favor das autoridades eclesiásticas, porque acrescentar uma imagem medonha do grande adversário de Deus em uma das páginas? Não poderia essa imagem colocar tudo à perder? Curiosamente ao longo de sua estória, o Codex Giga atraiu muitos interessados em estudar seu conteúdo, mas felizmente a Inquisição jamais cogitou destruir o volume, apesar do conteúdo polêmico de alguns capítulos.

Finalmente, há algo ainda mais curioso à respeito do Codex Gigas e que envolve a autoria do volume. Grafologistas concluíram que todas as 310 páginas foram escritas pela mesma pessoa, ou seja, o trabalho laborioso de copiar cada trecho foi pacientemente realizado por uma única mão. Sabendo que cada página de um livro desta natureza pode demorar muito tempo para ser concluída é surpreendente que o trabalho decorra de um mesmo indivíduo. Os especialistas atestaram que a caligrafia apresenta mudanças perceptíveis ao longo das páginas, apontando para a possibilidade do escriba ter envelhecido e perdido um pouco da firmeza com que copiava as palavras com o passar do tempo. Para os especialistas a obra deve ter demorado algo entre 25-30 anos para ser terminada.

Outra descoberta que reforça a hipótese de um indivíduo solitário é que a tinta utilizada no tratado é basicamente a mesma do início ao fim. Nessa época, os próprios monges produziam a tinta que utilizavam em seu ofício e cada um tinha uma preferência. Estudiosos foram capazes de descobrir o responsável por um mesmo trabalho examinando a tinta usada por ele, quase como se cada monge tivesse uma assinatura própria de acordo com os ingredientes usados na mistura. No caso do Codex Gigas, a tinta foi produzida a base de ninhos de inseto triturados com betume, uma fórmula bastante específica e incomum.

As primeiras menções ao Codex Gigas datam de meados do século XIII, quando o monastério de Podlažice enfrentava sérias dificuldades financeiras. Para levantar dinheiro e continuar existindo, em 1477 os monges negociaram a venda do manuscrito para outro monastério mais rico próximo da capital, Praga. Infelizmente, Podlažice acabaria sendo destruído por doença e peste que varreu a Europa Oriental nessa mesma época. Dizem que nenhum dos monges do local sobreviveu a terrível epidemia. Logo que o documento foi transportado e acomodado na biblioteca da ordem que o adquiriu, esta também começou a perder recursos e enfrentar dificuldades. Esses dois acontecimentos juntos acrescentaram mais um detalhe a lenda do Codex Gigas, uma suposta maldição que recaía sobre todos que adquiriam o livro.


Incapaz de manter o tomo - e segundo alguns temendo as estórias que o cercavam, o monastério acabou doando o volume em 1594 ao Imperador Rudolfo II do Sacro Império Romano. Acredita-se que o erudito governante tinha um profundo interesse em alquimia e ocultismo e que desejava o livro desde que ouvira boatos sobre sua existência. Um cronista da época relatou que ao se deparar com a imagem do demônio, Rudolfo II sorriu enigmaticamente e comentou que o livro doravante seria seu tesouro mais valioso. Mas o livro não traria bons frutos ao imperador. Poucos anos depois seu comportamento sofreu uma drástica transformação, ele se tornou errático e paranoico vendo conspirações em todo canto. Declarado incapaz de governar acabou banido pela sua própria família.


O livro permaneceu na Biblioteca Real de Praga até que no século XVII, em meio a Guerra dos Trinta Anos a cidade foi invadida por tropas suecas. Em meio ao caos e destruição que se seguiu o acervo real foi saqueado e entre os itens removidos estava o Codex Gigas. O tomo foi levado para Estocolmo onde permaneceu desde então na Biblioteca Nacional daquele país.

Ao longo dos anos, o manuscrito recebeu uma enorme variedade de nomes que fazem alusão ao seu tamanho e ao famoso retrato do Diabo. Além da Bíblia do Diabo e Codex Gigas foi também chamado Codex Giganteus (Livro Gigantesco), Gigas Librorum (O Livro Grandioso), Fans Bibel (Bíblia do Demônio), Hin Hales Bibel ("Old Nick Bíblia") e Svartboken (o Livro Negro).
O Codex Gigas é a única bíblia medieval conhecida onde existe uma imagem demoníaca, ao menos um demônio que não está sendo submetido pelo Anjo Gabriel. A figura é retratada semi-vestida com a tradicional pele de arminho real, uma óbvia conotação ao papel do diabo como monarca do inferno. Ele é  metade homem, metade animal, com garras, patas de falcão, e uma enorme língua vermelha. Os chifres são longos, brotando na cabeça bulbosa e desproporcional. O desenho mostra a figura diante de uma parede murada sem seus súditos ou escravos infernais. Muitos supõem que a imagem pode ser uma alusão a condição de aprisionamento do demônio no inferno e a impossibilidade dele ascender.  

Qualquer pessoa folheando o tomo acaba sendo eventualmente atraído para o enorme retrato do diabo na página 290, o que criou a impressão de que este é um dos pontos focais do livro. Ao longo da história, muitas pessoas também chamaram a atenção para o fato da página ser mais escura em comparação a todas as demais do livro. E que esta seria uma manifestação sobrenatural ocasionada pela representação diabólica ali retratada. Mas a explicação mais aceitável para esse fenômeno reside no fato de que a luz incidindo sobre a página em especial acabou por escurecer o velino.

O conteúdo do Codex Gigas inclui uma versão da Vulgata Latina, a tradução da Bíblia em grego para o idioma latim realizada no século IV. Além das passagens bíblicas completas, o Codex possui cinco grandes textos de cunho histórico e científico. Dois trabalhos do filósofo Flavius Josephus que viveu no século primeiro, as antologias Antiquities e Guerras Judáicas. Além disso, ele também apresenta uma versão da  Etymologiae, uma enciclopédia escrita por Isidoro de Sevilha e o tratado histórico "Chronica Boemorum" (Crônicas da Boémia) que relata a formação política daquela região. Ainda mais interessante é a existência de uma miscelânea de textos exclusivos versando sobre medicina, uso de ervas, tratamentos para doenças perigosas, realização de magias, rituais de purificação, penitências, exorcismos e outras noções práticas para eruditos. 


Como não poderia deixar de ser, um livro conhecido como "A Bíblia do Diabo" naturalmente se torna uma espécie de para-raios de superstições e narrativas bizarras. Uma das mais conhecidas lendas diz que quando o livro é deixado fechado por muito tempo, acaba se abrindo por conta própria, sempre na mesma página... a do retrato do diabo.
Outra lenda ligada ao livro diz que alguns trechos escondem encantamentos diabólicos e rituais de magia negra que podem ser decifrados a partir do estudo de alguns trechos. Ler o livro em algumas noites pré-determinadas também seria nocivo, pois nessas datas específicas alguns trechos mudavam e incluíam louvores satânicos. Finalmente, a imagem diabólica teria a propriedade de permitir que o leitor se comunicasse com o próprio demônio ao encarar seus olhos por tempo suficiente e pedir uma audiência com ele.   
Passados tantos anos, a "Bíblia do Diabo" ainda mantém a sua aura mística. Prova disso é o sucesso de uma exposição organizada em 2007 que trouxe o Codex Gigas de volta a Praga, 357 anos depois dele ter sido removido.

Na ocasião, filas de curiosos se formaram na Biblioteca Nacional, todos ansiosos para ter um vislumbre do misterioso livro. E com certeza, muitos esperavam pela oportunidade de olhar nos olhos da misteriosa imagem e saber se as lendas podem ser verdadeiras...



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