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15 de julho de 2009

Perséfone






Na mitologia grega, Perséfone ou Coré corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e
feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com
Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica o ciclo anual das colheitas.
Perséfone é normalmente descrita como uma mulher de cabelos claros, possuidora de uma beleza estonteante, pela qual muitos homens se apaixonaram, entre eles,
Pírito e Adônis. Foi por causa deste último que Perséfone se tornou rival de Afrodite, pois ambas disputavam o amor do jovem, mas também outro motivo era porque Afrodite tinha inveja da beleza de Perséfone. Embora Adônis fosse seu amante, o amor que Perséfone sentia por Hades era bem maior. Os dois tinham uma relação calma e amorosa. As brigas eram raras, com exceção de quando Hades se sentiu atraído por uma ninfa chamada Menthe, e Perséfone, tomada de ciúmes, transformou a ninfa numa planta, destinada a vegetar nas entradas das cavernas, ou, em outra versão, na porta de entrada do reino dos mortos.
Entre muitos rituais atribuídos à entidade, cita-se que ninguém poderia morrer sem que a rainha do mundo dos mortos lhe cortasse o fio de cabelo que o ligava à vida. O culto de Perséfone foi muito desenvolvido na
Sicília, ela presidia aos funerais. Os amigos ou parentes do morto cortavam os cabelos e os jogavam numa fogueira em honra à deusa infernal. A ela, eram imolados cães, e os gregos acreditavam que Perséfone fazia reencontrar objetos perdidos.
Conta-se, ainda, que
Zeus, o pai da Perséfone, teve amor com a própria filha, sob a forma de uma serpente.
Apesar de Perséfone ter vários irmãos por parte de seu pai Zeus, tais como
Ares, Hermes, Dionísio, Atena, Hebe, Apolo, entre outros, por parte de sua mãe Deméter, tinha um irmão, Pluto, um deus secundário que presidia às riquezas. É um deus pouco conhecido, e muito confundido como Plutão, o deus romano que corresponde a Hades. Tinha também como irmã, filha de sua mãe, uma deusa chamada Despina, que foi abandonada pela mãe de ambas ao nascer. Por isso ela tinha inveja da deusa do mundo dos mortos, até porque Demeter se excedia em atenções para a rainha. Em resposta, a filha rejeitada destruia tudo que Perséfone e sua mãe amavam, o que resultaria no inverno.
Preciosas informações retiradas de antigos textos gregos, citam que Perséfone teve um filho e uma filha com Zeus:
Sabázio e Melinoe era de uma habilidade notável, e foi quem coseu Baco na coxa de seu pai. Com Heracles, teve Zagreus.
A rainha é representada ao lado de seu esposo, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. A papoula foi-lhe dedicada por ter servido de lenitivo à sua mãe na ocasião de seu rapto. O narciso também lhe é dedicado, pois estava colhendo esta flor quando foi surpreendida e raptada por Hades. Perséfone, com Hades, é mãe de
Macária, deusa de boa morte.















14 de julho de 2009

Hécate

Hécata é uma divindade, filha dos titãs Perses e Astéria. Hécate, em grego, significa "a distante" (embora alguns atribuam a origem do nome à palavra egípcia Hekat que significaria "Todo o poder", já que supostamente Hécate teria se originado em mitos do sudoeste asiático que fora assimilada para a religião greco-romana mais tarde) mas era conhecida como a mais próxima de nós, pois se acreditava que, nas noites de lua nova, ela aparecia com sua horrível matilha de cachorros fantasmas diante dos viajantes que por ali cruzavam. Ela enviava aos humanos os terrores nocturnos e aparições de fantasmas espectros. Também era considerada a deusa da magia e da noite, mas em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Era associada a Ártemis, mas havia a diferença de que Ártemis representava a luz lunar e o esplendor da noite. Também era associada à deusa Perséfone, a rainha dos infernos, lugar onde Hécate vivia.
Dada a relação entre os feitiços e a obscuridade, os
magos e bruxas da Antiga Grécia lhe faziam oferendas com cachorros e cordeiros negros no final de cada lua nova. Era representada com três corpos e três cabeças, ou um corpo e três cabeças. Levava sobre a testa o crescente lunar (tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e com serpentes enroladas em seu pescoço. Os romanos assimilaram Hécate a Trívia, deusa das encruzilhadas, embora a relação dada entre ambas não seja tão perfeita como em outros casos da mitologia. Os marinheiros consideravam-na sua deusa titular e pediam-lhe que lhes assegurasse boas travessias. Hécate era uma divindade tripla: lunar, infernal e marinha.
Hécate se uniu primeiramente com
Fórcis e foi mãe do monstro Cila e depois com Aestes, de quem gerou a feiticeira Circe. Em outros mitos, Cila era uma ninfa que foi transformada por Circe num monstro marinho. O cipreste estava associado a Hécate. Seus animais eram os cachorros, lobos e ovelhas negras. Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a senhora. Ela transmite o poder de olhar para três direcções ao mesmo tempo. Esta deusa sugere que algo no passado está amarrando o presente e prejudicando planos futuros.
Com o fim do matriarcado na
Grécia, Hécate se tornou a senhora dos ritos e da magia negra. As três faces passaram a simbolizar seu poder sobre o mundo subterrâneo, onde morava, ajudando à deusa Perséfone a julgar os mortos; a terra, onde rondava nas luas novas; o mar, onde tinha seus casos de amor. Esse tríplice poder de Hécate é comparável ao tríplice domínio sobre o mar, a terra e o céu.
Nos mitos, seu papel foi sempre secundário. Participou da
Titanomaquia ao lado de Zeus, ajudou Deméter a procurar sua filha Perséfone quando esta foi raptada por Hades e combateu Hércules quando ele tentou enfrentar Cérbero, seu cão de companhia no mundo subterrâneo.





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Outra definição sobre Hécate


Hecate ou Hécate é uma deusa correspondente a Ártemis. Segundo Hesíodo, é filha de Astéria (deusa estrelar) e Perses, deus da destruição. Astéria, também conhecida por Ortígia, é irmã de Leto, mãe de Apolo e Ártemis (Astéria é filha dos Titãs Céos e Febe. Perses é filho do Titã Créos e de Euríbia; e Euríbia é filha de Pontos e Gaia). Nesta versão Hécate descende da geração de Urano, Gaia e Pontos, tornando-se uma deusa do Céu, da Terra e do Mar. Mas também aparece como filha de Nyx, deusa da Noite escura. Já acreditaram que Hécate fora outrora uma das Erínias, pois seus símbolos são idênticos (tochas, serpentes, sombras etc). Também já a citaram como uma das Moiras, pois tanto Hécate, quanto sua filha Circe, podem intervir nos fios do Destino. Permanece muito misteriosa, caracterizada mais por suas funções e atributos que pelas lendas em que intervém. É, portanto, independente das divindades do Olimpo. Zeus conservou seus privilégios antigos e inclusive os aumentou.
Hécate espalha sua benevolência por todos os homens, concedendo as graças a quem as pede. Dá nomeadamente a prosperidade material, o dom da eloqüência na
política, a vitória nas batalhas e nos jogos. Proporciona peixe abundante aos pescadores e faz prosperar ou definhar o gado conforme quer. Seus privilégios se estendem a todos os campos em vez de se limitarem a alguns, como acontece em geral com as divindades. É invocada também particularmente como "deusa que nutre" a juventude, em pé de igualdade com os gêmeos Ártemis e Apolo. É igualmente uma deusa protetora das crianças, e enfermeira e curandeira de jovens e mulheres.
São estas as características de Hécate na época antiga. Pouco a pouco, a deusa foi adquirindo uma especialização diversa. Foi considerada como deusa que preside à magia e aos feitiços. Está ligada ao mundo das sombras. Surge aos magos e às feiticeiras com um archote em cada mão, ou na forma de diversos animais:
égua, cadela, loba etc. É a ela que se atribui a invenção da feitiçaria, e a lenda a incorporou à família dos magos por excelência: Circe, Eetes e Medéia. Com efeito, tradições tardias dizem que Circe é filha de Hécate e ora mãe, ora tia de Eetes e Medéia.

Hécate, a deusa grega das encruzilhadas; desenhada por Stephane Mallarmé em Les Dieux Antiques, nouvelle mythologie illustrée (Paris, 1880).
Medéia se diz sacerdotisa de Hécate, e sempre está no altar da deusa, em suas invocações. Hécate era uma divindade misteriosa, às vezes identificada com Ártemis (deusa da Lua - esplendor na noite de Lua cheia; e as trevas e seus horrores) -, às vezes com Perséfone (Hécate é a deusa dos espectros e fantasmas). É a deusa da bruxaria e do encantamento, e acreditava-se que vagava à noite pela terra, vista somente pelos cães, cujo latido indicava sua aproximação. Hécate, nesses passeios, estava sempre acompanhada por seu séquito de espectros, entre eles
Empusa.
Como feiticeira, Hécate preside às encruzilhadas, que são lugares preferidos da magia. Ali se ergue sua estátua, na forma de uma mulher com três corpos ou três cabeças. Essas estátuas eram abundantes nos campos da antiguidade e junto delas colocavam-se oferendas.
Hécate é também a deusa dos caminhos, dando à humanidade novos caminhos a serem seguidos. Deusa forte e poderosa por excelência. Mãe também de
Skylla ou Cila, como Fórcis, a qual Circe transformara em monstro terrível.
Hécate é conhecida como "deusa tríplice", pois domina nos céus, na Terra e no mar (e também no mundo dos mortos, pois era rainha do
Érebo, na ausência de Perséfone). Com Perséfone e Deméter é uma das grandes deusas dos mistérios de Elêusis. Dizem que na versão hesiódica Hécate é o ressurgimento da grande Febe.





3 de julho de 2009

Arte das Bruxas

O Trabalho mágico de uma Bruxa ou Bruxo exige seriedade e quatro características básicas:

1- Saber

a) Conhecer a si mesmo
b) Conhecer sua arte
c) O que você quer realizar
d) Trabalhar com moderação
e) Saber o que fazer
f) Saber como fazer
g) Saber quando fazer
h) Saber quando não fazer
i) Especificar bem o que você vai fazer
j) Criar um sigilo com as palavra

2- Querer

a) Acreditar em você mesma
b) Acreditar na divindade
c) Acreditar em suas habilidades
d) Acreditar na abundância do Universo
e) Ter a vontade de praticar de novo e de novo
f) Habilidades de meditação
g) Ter em mente com muita clareza o porque você quer realizar essa operação mágica
h) Observar se sua vontade está corretamente direcionada
i) Praticar visualização
j) Praticar relaxamento
k) Praticar um estado alterado de consciência
l) Praticar para ser capaz de fazer rápido e certo
m) Observar se não vai influenciar negativamente outra pessoa
n) Observar os aspectos de não prejudicar ninguém
o) Usar uma ferramenta adivinhatória para checar se seus planos são válidos, se está numa boa hora de pô-los em prática

3- Ousar

a) Ter a coragem de mudar as circunstâncias
b) Ter a coragem de controlar seu ambiente
c) Ser responsável por suas ações
d) Escolher o melhor curso de ação para o trabalho a ser feito

4- Calar

a) Aprender a manter a boca fechada antes do trabalho
b) Aprender a manter a boca fechada enquanto espera pelos resultados
c) Aprender a manter a boca fechada depois do trabalho
d) Proteger sua confiança
e) Proteger sua reputação
f) Proteger sua energia



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Objetivos de um(a) bruxo(a)


1- Conheça a si próprio
2- Conheça sua Arte (Wicca)
3- Aprenda
4- Aplique seus conhecimentos com sabedoria
5- Atinja o equilíbrio
6- Mantenha suas palavras em boa ordem
7- Mantenha seus pensamentos em boa ordem
8- Celebre a a vida
9- Sintonize-se com os ciclos da Terra
10- Respire e alimente-se corretamente
11- Exercite o corpo
12- Medite
13- Honre a Deusa e o Deus.




A Lei do Poder

1- O Poder não deve ser usado para gerar danos, males ou para controlar os outros. Mas, se surgir a necessidade, o Poder poderá ser usado para proteger sua vida ou a de outros

2- O Poder só é utilizado conforme as necessidades

3- O Poder pode ser utilizado para seu próprio benefício, desde que ao agir desta forma não prejudique ninguém

4- Não é sábio aceitar dinheiro para utilizar o Poder, pois ele rapidamente controla o que recebe. Não seja como os de outras religiões

5- Não utilize o Poder por motivo de orgulho, pois isto desvaloriza os mistérios da Wicca e da magia

6- Lembre-se sempre de que o Poder é um dom sagrado da Deusa e do Deus, e não deve jamais ser mal usado ou abusado




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Panorama Atual do Neo-Paganismo


É difícil termos uma estimativa do número de praticantes da Wicca. Sendo uma religião baseada em pequenos grupos ou mesmo em praticantes solitários, com poucas, ou nenhumas, relações formais entre si, não existe nenhum organismo central que possua esse tipo de dados. Além desta descentralização, ainda temos que contar com o fato de muitas pessoas não se sentirem à vontade para reconhecer publicamente a sua prática. Com efeito, a Wicca quando designada por Bruxaria ainda é confundida com as práticas das bruxas das aldeias, geralmente tidas como malévolas. Fala-se imediatamente de adoração do diabo, invocação dos mortos, estranhas rezas para efeitos suspeitos ou práticas pouco ortodoxas. Estas atitudes de rejeição tendem a mudar embora lentamente em países com uma razoável implantação da Wicca e poucas tradições de bruxaria, como é o caso dos E.U.A. Noutros países, como em Portugal, em que as condições são precisamente as opostas, estas atitudes negativas mantêm-se. Neste contexto pensamos que é mais simples uma pessoa apresentar-se como pertencente a uma das muitas religiões e «seitas» cristãs existentes, ou como agnóstico, do que como Bruxa(o).
As estatísticas existentes acerca da comunidade pagã são feitas internamente e baseiam-se principalmente em questionários difundidos em encontros e festivais, e através de organizações de intercâmbio ou de livrarias e lojas do ramo. Apenas conseguimos obter dados destas fontes respeitantes aos EUA e Reino Unido. Noutros casos recolhemos dados através de um inquérito elaborado por nós e enviado a várias organizações e indivíduos da comunidade pagã e cujos resultados utilizamos como estimativas ou indicadores gerais da implantação desses grupos. Em muitos países, apenas sabemos da existência do movimento devido ao aparecimento de livros e jornais pagãos, mas não nos foi possível a recolha de mais elementos. Passamos assim a um breve resumo dos dados de que dispomos sobre a implantação do Paganismo:



EUA - Em 1985 estimava-se que existissem entre 50 e 100.000 pessoas que se assumiam como fazendo parte do movimento pagão. Este número correspondia a um crescimento explosivo em relação aos números calculados sete anos antes. Calcula-se que o livro "The Spiral Dance" tenha estado na origem da formação de centenas de novos grupos (Adler, M., ed.1986).


Reino Unido - O número de pessoas ligadas ao ocultismo em geral era de cerca de 250 mil em 1989, das quais 67% manifestavam um sério interesse ou um forte empenhamento no Paganismo e 68% um grau de interesse semelhante na Bruxaria.


Irlanda - Não obtivemos nenhuma informação sobre o número de praticantes, embora nos pareça que esse número não deva ser desprezível. Na Irlanda é também a sede da "Fellowship of Isis", organização pagã de intercâmbio que conta com 12.000 membros em 76 países. Vive neste país um conhecido casal de Pagãos, os escritores Janet e Stewart Farrar, cujas obras servem de «manual» para um sem número de grupos em todo o mundo e que fazem frequentes declarações públicas. Estes escritores estão neste momento prestes a publicar um trabalho que inclui uma estimativa do número de Pagãos a nível mundial.


Holanda - De acordo com informações recolhidas no jornal "Wiccan Rede" existem cerca de 800 Pagãos na Holanda. O movimento pagão começou de forma visível em 1979 com a publicação deste jornal, que refere um crescimento do número membros desde essa data e à medida que aumenta a quantidade de literatura disponível em holandês.



França - Não nos foi fornecida qualquer informação pela "Wicca Française", a única organização pagã francesa de que tivemos conhecimento. e que afirmam Ter dependências na Grã-Bretanha, U.S.A., Irlanda, Holanda, Bélgica, Suíça, Alemanha e Espanha.A Wicca Française tem algumas particularidades que pensamos ser excepção dentro da Wicca, como uma liturgia comum para todos os associados, em latim, bem como um centralismo e secretismo que parecem não se encontrar nos restantes grupos da Wicca.


Outros países - Conseguimos algumas informações de Pagãos não inseridos em organizações, da Alemanha, Itália e Finlândia que são as seguintes: existência de algumas centenas de Wiccans e alguns milhares de Pagãos na Alemanha, cerca de 5000 na Itália e algumas dezenas na Finlândia. Note-se que estes números são calculados a partir de dados recolhidos particularmente. Ainda não foi possível contatar qualquer grupo em Portugal, embora saibamos já da existência de filiados portugueses em organizações internacionais de intercâmbio.



No inquérito que elaboramos pedimos informações ligadas às profissões e estratos sociais dos quais provêm estas pessoas. As informações de que dispomos apontam para uma predominância de quadros técnicos, universitários, profissionais ligados às diversas áreas de saúde, artistas, professores e indivíduos pertencentes a diversas profissões liberais entre as pessoas atraídas pelo Paganismo. Esta tendência é especialmente marcada em países com fraca implantação Pagã, tornando-se menos evidente quando o movimento se alarga. Numa carta proveniente dum casal holandês afirma-se que "...no princípio, o fato de se ter de saber inglês determinava o tipo de pessoas que se envolviam na Arte." Com efeito, esta pode ser uma das explicações possíveis para a nossa constatação anterior visto que a maioria da literatura disponível sobre a Wicca é escrita em inglês, e é nos países de língua não-inglesa que a tendência apontada é mais forte.



Parece que os Pagãos têm hábitos de leitura e interesse por várias manifestações artísticas independentemente do seu grau de escolaridade, já que sendo o Paganismo uma religião sem hierarquias nem mestres, é indispensável que cada indivíduo, cada grupo, faça as suas investigações, as suas recolhas de mitos e rituais que o ajudam a orientar o seu caminho. Também parecem ter interesse por manifestações artísticas, tentando exprimir através delas a sua religiosidade, construindo objetos rituais, compondo músicas, fazendo fotografia, etc. de modo a (re)criar o seu mundo religioso e a respectiva simbologia.



Do ponto de vista político-social, verificamos que os Pagãos tendem a adotar posições pouco conservadoras. Por exemplo, nos EUA nos anos 70 houve uma aproximação entre a Wicca e movimentos feministas e ambientalistas inicialmente mais virados para a ação política do que para a religião. Parece ter havido uma adesão de indivíduos pertencentes a este quadrante político-social ao Paganismo, provavelmente por considerarem ser esta uma outra via de oposição aos valores tradicionais e porque a procura de novos valores sociais, de novas atitudes políticas não lhes bastavam tendo necessidade de enquadrar esses novos valores num campo mais vasto de uma nova cosmo visão. Pensamos que o caráter individualista desta nova proposta religiosa, por não obrigar a normas e sentimentos religiosos rígidos, dando liberdade de expressão a cada indivíduo, contribuiu para a sua divulgação.



"A antiga religião da Deusa oferece um poder de transformação que poderia quebrar as barreiras espirituais e políticas entre o indivíduo e a sociedade" (Starhawk, "Dreaming the Dark").


* Observação: "Valores matrifocais", "A consciência ecológica", "O individualismo religioso" e "Panorama atual do neo-paganismo" foram retirados da tese de pós-graduação "Sociologia das Religiões e Pensamento Religioso", de uma bruxa de Portugal.




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