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19 de setembro de 2010

As Sete Trombetas do Apocalipse: Uma Análise Comparativa com as Sete Pragas

Com uma leitura atenta do Apocalipse sobre as sete trombetas, tendo em mente as sete pragas, é impossível não perceber um paralelo entre as duas descrições .

Todavia, por algumas dificuldades na harmonização temporal entre os dois relatos, muitos estudiosos têm aplicado as sete trombetas como relacionadas à queda do império romano, primeiro o ocidental, depois o oriental até a consumação final dos reinos da terra . Outros já aplicam a primeira trombeta como relacionada à Jerusalém, e não Roma . Assim, há muitas interpretações, algumas divergentes, mostrando que não há uma teoria definitiva sobre este assunto.

O propósito deste artigo é apoiar uma interpretação das sete trombetas relacionada às sete pragas do Apocalipse.

Quando têm início as Sete Trombetas?


1- Depois do Selamento - Em Apocalipse 7:3 lemos: "Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus ". Podemos, mediante este texto, aceitar que os elementos da terra só seriam danificados, de forma intensificada, após o selamento do povo de Deus.

No contexto da quinta trombeta temos a confirmação desta afirmação: "...e foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma e tão somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte" (Apocalipse 9:4).

Quando estudamos as primeiras trombetas notamos que por elas a terra começou a ser danificada, e como isso só poderia acontecer depois do selamento, podemos afirmar que as Trombetas têm lugar após o selamento do povo de Deus. A quinta trombeta é clara em punir aqueles que não foram selados.

Sabemos, pelo próprio livro do Apocalipse, que o selamento, escatologicamente falando, começou após a pregação das Três Mensagens Angelicais (Apocalipse 14:6-12). O selamento só será concluído pouco antes da volta de Jesus.

"Pouco antes de entrarmos... [no tempo de angústia], todos nós recebemos o selo do Deus vivo. Então eu vi os quatro anjos deixarem de segurar os quatro ventos. E vi fomes, epidemias e espada, nação se levantando contra nação e o mundo inteiro em confusão" .

Você consegue ver neste texto uma descrição das tragédias conseqüentes das sete trombetas?

Concluímos então que as trombetas anunciam os juízos que serão imputados à terra depois do selamento do povo de Deus, ou seja, pouco antes da volta de Cristo.

2 - No contexto do Sétimo Selo - João apresenta as trombetas no contexto do sétimo selo, e não do primeiro. Assim não podermos fazer um paralelo entre os sete selos e as sete trombetas.

"Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora. Então, vi os sete anjos que acham em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas" (Apocalipse 8:1 e 2).

O sétimo selo está no contexto de pouco tempo antes da volta de Cristo, marcado pelo encerramento do serviço sumo-sacerdotal no santíssimo lugar do Santuário Celestial. A descrição do incensário e fogo do altar está em paralelo ao dia da expiação tipificado pelo santuário terrestre ( Levítico 15:12 e 13).

O sétimo selo marca o silêncio no céu, um clima de expectativa para os acontecimentos finais do retorno de Jesus à Terra.

3 - Paralelo Explícito com as sete pragas - Este paralelo é aceito, todavia a grande maioria dos estudiosos aplicam as sete trombetas como tipo histórico das sete pragas.

Como já analisamos, o selamento só será concretizado pouco tempo antes de Jesus voltar, num período que se estende desde a pregação das mensagens angélicas até o fechamento da porta da graça.

Sendo assim, as sete trombetas estariam no futuro, e não no passado, fazendo um paralelo temporal com as sete pragas, do mesmo modo que as sete igrejas do Apocalipse estão em paralelo com os sete selos.

Há uma declaração de Ellen White que coloca as trombetas no futuro e no contexto das Sete Pragas:

"Solenes acontecimentos ainda ocorrerão diante de nós. Soará uma trombeta após a outra ; uma taça após a outra será derramada sucessivamente sobre os habitantes da Terra" .

Note que não é mencionado trombetas nas sete pragas no livro do Apocalipse, ou seja, Ellen White esta se referindo às sete trombetas, e não somente às sete pragas.

Uma outra declaração do Espírito de Profecia parece ser uma referência direta às sete trombetas: "Serão inventados mortíferos artefatos de guerra. Navios com seu carregamento de seres humanos serão sepultados no grande abismo" . Observe o relato de Apocalipse 8:9: "e morreu a terça parte da criação que tinha vida, existente no mar, e foi destruída a terça parte das embarcações ". Note o paralelo entre "navios sepultados" e "destruída as embarcações".

Apocalipse 9:1: "O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra". Neste contexto esta estrela assume o poder para destruir e causar dano à terra. Sabemos que na profecia, estrela representa anjo, e o anjo caído é Satanás. Perceba a ligação com seguinte texto do Espírito de Profecia: "Satanás mergulhará então os habitantes da Terra em uma grande angústia final. Ao cessarem os anjos de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas todos os elementos de contenda. " Mais uma vez notamos que os juízos mencionados nas trombetas só terão lugar após os anjos soltarem os quatro ventos, ou seja, depois do selamento.

Tanto no contexto das trombetas como nas sete pragas Deus está punindo os assinalados com a marca da Besta.

Paralelo:

7 Trombetas

7 Pragas

1- Sobre a terra - Apoc. 8:7

1 - Sobre a terra - Apoc. 16:2

2 - Sobre o Mar - 8:8

2 - Sobre o Mar - 16:3

3 - Rios e Fontes das águas - 8:10

3 - Rios e Fontes das águas - 16:4

4 - Sobre o Sol - 8:12

4 - Sobre o Sol - 16:8

5 - Trevas - 9:2

5 - Trevas - 16:10

6 - Eufrates - 9:14

6 - Eufrates - 16:12

7 - Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e saraiva - 11:19

7 - Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e saraiva - 16:18,21

A questão dos tempos proféticos:

Um dos argumentos contra a aplicação das trombetas ao mesmo tempo das pragas é a questão do tempo profético envolvido, uma vez que as pragas caem em "um só dia" (um ano profético - 18:8) enquanto nas trombetas aparecem tempos supostamente mais longos, como "cinco meses" (150 anos proféticos - 9:5).

O primeiro ponto é que os juízos que cairão em "um só dia" estão se referindo aos juízos sobre a Babilônia espiritual, à Besta do Apocalipse, e não se refere ao tempo de todas as pragas.

Sabemos também que a quinta praga é literal, e uma vez que aceitamos seu paralelo temporal com a quinta trombeta, podemos aceitar que os cinco meses também são literais, e se referem ao tempo em que os adoradores da besta sofrerão com o quinto flagelo.

Seria improvável um tormento de 150 anos (5 meses proféticos), visto a demora neste ato e o tempo de vida de um ser humano ser menos do que 120 anos.

É válido ressaltar que não há a redução de símbolos no contexto da quinta trombeta, onde seria necessária a aplicação do princípio dia/ano profético. Este princípio afirma que toda vez que o símbolo é reduzido, o tempo é reduzido proporcionalmente. Por exemplo, quando reinos são reduzidos à símbolos de animais, os dias, dentro deste contexto, representarão anos.

Seria improvável um tormento de 150 anos (5 meses proféticos), visto a demora neste ato e o tempo de vida de um ser humano ser menos do que 120 anos.

Desta forma, os cinco meses não estariam em contradição ao um ano profético de Apocalipse 18:8.

Perceba o tormento imposto aos que têm o sinal da Besta pela quinta trombeta relacionando com a quinta praga:

Quinta trombeta: "e foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma e tão-somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte. Foi-lhes também dado, não que os matassem, e sim que os atormentassem durante cinco meses. E o seu tormento era como tormento de escorpião quando fere alguém. Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a acharão; também terão ardente desejo de morrer, mas a morte fugirá deles" (Apocalipse 9:4 a 6).

Quinta Praga: "Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras. " (Apocalipse 16:10 e 11).

Depois de sugeridos alguns argumentos para o contexto das trombetas, este estudo propõem um enfoque das sete trombetas em paralelo temporal com as sete pragas, ou seja, tanto as sete trombetas como as sete pragas se cumprirão no futuro, após o selamento, e seguirão o mesmo curso cronológico. Ainda há muitas dificuldades para serem resolvidas, uma vez que nesta proposta os relatos ainda estão por acontecer, todavia, parece ser mais coerente textualmente falando, e simples, relacionar as trombetas com as pragas, e não com os selos ou aplicá-las somente ao passado.




Fonte:

MAXWELL, C. Mervyn. Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998. p. 226 a 228.

FEYERABEND, Henry. Apocalipse: Verso por Verso. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005. p 74.

MAXWELL, C. Mervyn. Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse. p 240.

WHITE, Ellen. Eventos Finais. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995. p , 196.

_____. Eventos Finais. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995. p 205.

_____. Eventos Finais. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995. p 205.

_____. Eventos Finais. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995. p 206.




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18 de setembro de 2010

A lenda de Santa Joana Princesa

A princesa D. Joana, filha do rei Afonso V, revelou desde muito tenra idade uma grande vocação religiosa. Esta filha primogénita, apesar de ser obrigada a viver na Corte pela sua posição, afastava-se o mais possível de festas e convívios e passava grande parte do seu tempo a rezar e a meditar. A princesa era, dizia-se, muito bela e teve muitos pretendentes, entre estes muitas cabeças coroadas, mas a todos recusou alegando a sua intenção de se tornar freira. Com a autorização real, entrou D. Joana para Odivelas, mudando-se mais tarde para o Convento de Santa Clara de Coimbra, mas acabando por resolver professar no Convento de Jesus, em Aveiro. Esta última decisão foi contestada tanto pelo rei como pelo povo, dado que o Convento de Jesus era muito pobre e, na opinião geral, indigno de uma princesa. Por outro lado, o povo discordava da vocação da princesa e não queriam que ela professasse. Perante tanta discórdia D. Joana decidiu não professar, mas declarou que usaria o véu de noviça para sempre e insistiu em ingressar no Convento de Jesus, vivendo na humildade e na pobreza e aplicando as rendas que possuía no socorro dos pobres. A sua caridade era tão grande que depressa ficou conhecida como santa. Mas a bela princesa adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem. Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana Princesa, levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a beatificação a esta infanta de Portugal.



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Fatos e lendas sobre os Berserkers

Os Vikings foram os mais famosos guerreiros da Idade Média. Famosos por suas empreitadas pelo mar, seja atacando vilas e mosteiros pela Europa ou navegando para fins pacíficos de comércio ou colonização em outras partes do mundo. No tocante à guerra, além de seu conhecido navio (popularmente chamado de drakkar, dragão), uma arma tecnológica que lhes concedeu vantagem sobre os outros povos, os especialistas acreditam que eles tiveram outro importante elemento que explicaria seu imenso sucesso nas batalhas. Trata-se dos guerreiros de elite conhecidos pela designação de berserker.
Existem duas explicação atuais para este nome. A mais coerente diz que seria “camisa de urso” (do nórdico bear), e a outra “sem camisa” (do nórdico bare). Seja como for, talvez as duas possam ter coerência mútua. A ligação com o urso provém do simbolismo e da importância deste animal para as tribos de origem germânica, desde a antiguidade. E a segunda explicação, sem camisa, refere-se ao fato dos berserkers não usarem nenhuma proteção nas batalhas, como veremos a seguir.
A principal característica dos berserkers seria sua fúria incontrolável e assassina. Muito antes dos Vikings, um cronista latino chamado Tácito já se referia a guerreiros entre os germanos que possuíam estas características, que aliás, eram muito louvadas por sociedades que dependiam totalmente da guerra para sobreviver.
Desde o século 18 os estudiosos tentam explicar esse comportamento frenético dos berserkers (chamado de berserkergang). Uma das mais populares, principalmente após os anos 1960, era a de que utilizavam alucinógenos (o cogumelo Fly acaris, por exemplo, comum entre os xamãs da Lapônia) ou bebidas alcoólicas. Testes químicos e experimentos com voluntários reproduzindo situações de batalha concluíram que os efeitos colaterais derivados da ingestão destes produtos (náuseas, vômitos, tonturas), em vez de ajudar, acabaram prejudicando as ações humanas. Atualmente, portanto, são teorias descartadas.
Mas afinal, o que ocasionava o furor destes soldados medievais? As respostas vieram principalmente de duas explicações, relacionadas entre si. A primeira é relacionada ao culto do antigo deus Odin (ver Box). Segundo o cronista islandês Snorri Sturluson, os berserkers eram devotados fiéis à esta divindade. Seria, portanto, a sua fé em um deus xamânico, que privilegia a magia, o êxtase e a metamorfose humana em animais, que explicaria esse comportamento: “os homens de Odin avançam para as frentes sem armaduras, onde tão loucos como cachorros ou lobos, mordem seus escudos, e são tão fortes quanto ursos ou bois selvagens e matam pessoas com um golpe, mas nem o ferro nem o fogo os detém”, na famosa descrição de Snorri da Saga dos Ynglingos (escrita no século 13 d.C.). Escolhendo como totem pessoal o urso ou lobo (no caso dos guerreiros chamados de Úlfhedinn), estes guerreiros cultuariam a Odin através de danças e rituais portando máscaras animais e armamentos. Várias placas-amuletos encontradas na Escandinávia mostram cenas de homens vestindo peles (inclusive cabeças de lobo) e dançando numa espécie de êxtase. Outra fonte, escrita pelo imperador bizantino Constantino II (Livro das cerimônias), descreve uma “dança gótica” de soldados com peles e máscaras animais, realizada por membros da guarda varangiana. Esta tropa consistia de mercenários suecos que prestavam serviço em Constantinopla (Bizâncio).
A teoria da possessão espiritual também encontra eco em outras fontes literárias da Escandinávia. Na Saga dos Volsungos, de caráter lendário, o pai do famoso herói Sigurd (o Siegfried alemão), Sigmund e seu outro filho Sinflioti, em dado momento da narrativa agem como lobos, habitando uma floresta e até assassinando pessoas. Isso parece coincidir com o comportamento do guerreiro Bovdar Bjarki (descrito na Saga de Hrolf), que trabalhava para o rei Kraki da Dinamarca. Quando ele saia para o campo de batalha, transformava-se em um imenso urso, enquanto sua forma humana ficava em casa e parecia dormir. Isso está relacionado ao hamr (alma, forma) e a fylgja (forma espiritual que acompanha cada humano). Na religiosidade Viking, a hamr de um ser humano poderia se transformar em um animal e também estava relacionada à crença nos lobisomens (hamrammr, homens que viram lobos).
A segunda explicação para o frenesi dos berserkers e em consequência, no seu sucesso perante as batalhas, advém de causas puramente psicológicas. O pesquisador Peter Woodward, no programaConquista da BBC, testou essa teoria. Em primeiro lugar, o tipo de equipamento mais usado por estes guerreiros era o machado, uma arma somente de ataque e sem defesa operacional, como a espada. Um soldado na frente de batalha, sem nenhum tipo de proteção (armadura ou escudo), gritando, urrando, dançando e atirando o próprio corpo contra os inimigos sem nenhum medo, causa um efeito psicológico devastador: é a agressão em estado puro, terrivelmente assustadora. Esse estilo suicida extremista fez os berserkers entrarem para a história da guerra.
Até agora só examinamos estes guerreiros no campo de batalha. Mas e na sociedade Viking? Qual o seu papel? Por um lado, eles eram admirados e muito requisitados. Faziam parte da guarda real de muitos reinos da Escandinávia e até de tropas de elite no exterior, como foi o caso de Bizâncio, como já comentamos ou na atual Rússia. Todas as expedições de pirataria ou em exércitos com formações maiores, contavam com grupos de berserkers, prontos para a ação. Para o referencial da elite aristocrática, eles eram muito valorosos e necessários, atingindo um status privilegiado na sociedade. Mas para o camponês, o pequeno proprietário ou fazendeiro do tempo da Escandinávia Viking, eles representavam coisas muito ruins. Loucos, agressivos, perigosos, com excessos sexuais, enfim, vários elementos presentes nas Sagas mostram esse outro lado que encontravam na sociedade. Por serem psicologicamente instáveis, muitas vezes eram de poucas amizades, em outras ocasiões eram banidos das pequenas comunidades (especialmente depois de assassinatos). Um caso exemplar é o relatado na Saga de Egil Skallagrímsson (ver Box, Vikings famosos). Vindo de uma família de berserkers (o pai: Skallagrím, careca feia, e o avô, Kveldi-Úlf, lobo do entardecer), Egil acabou tendo uma vida muito violenta. Em certa ocasião, já em sua casa e sem nenhum motivo aparente, foi tomado por um frenesi descontrolado, matando a criada após atacar o filho. Percebemos, então, que os berserkers ficavam possessos não somente em batalhas, sendo temidos também pelos próprios Vikings.
Estes intrépidos guerreiros deixaram seu legado para a história, sendo hoje um nome associado ao furor no inglês moderno (berserk) e integrante de romances, jogos de vídeo game, quadrinhos e desenhos japoneses, além de várias produções cinematográficas. Alguns destes filmes são a comédiaErik, o Viking, onde o ator Tim McInnemy interpreta o humorado e alucinado Sven, ou a produçãoBerserker, ainda inédita no Brasil. Os Vikings certamente ainda irão proporcionar muitos momentos de inspiração para a arte e o imaginário.

O culto a Odin

Odin foi a principal divindade dos guerreiros e aristocratas, sendo um deus da poesia, da morte, das batalhas e da magia. Perdeu um dos olhos para obter mais conhecimento mágico. Andava sempre com dois lobos e dois corvos ao seu lado, além de sua lança Gungnir. Um dos rituais para Odin envolvia periodicamente a imolação de prisioneiros de guerra, geralmente enforcados (em referência a seu auto-sacrifício na árvore Yggdrasill) ou espetados com lanças. O principal local de seu culto parece ter sido a ilha de Gotland, no báltico sueco, com centenas de estelas funerárias representando símbolos e imagens relacionados ao Valhala, além de esculturas reproduzindo Odin em seu cavalo Sleipnir. O seu nome também estava associado ao furor no nórdico (Ódr) quanto no germânico antigo (Wodan) e somado ao fato da crença de que os melhores que morressem em batalha iriam servir a Odin em seu palácio (Valhalla), explica tanto a devoção quanto o frenesi nas guerras.

Técnicas de guerra entre os Vikings

As táticas militares utilizadas normalmente em unidades pequenas (a exemplo do “partindo como um Viking”, os ataques surpresas pelo mar), previam o uso da oportunidade e detalhado conhecimento sobre o inimigo. Uma empreitada bem sucedida requeria boa inteligência, segurança e coragem. A estratégia da guerrilha, desta maneira, foi utilizada com eficiência pelos Vikings em situações que envolviam poucas pessoas. Segundo o historiador Paddy Griffith, as chaves do sucesso para operações nórdicas teriam sido: operações com escassos feridos no ataque, mobilidade e rapidez na sua execução e armamento.

Vikings famosos

Um dos mais famosos foi Egil Skallagrímsson, que encarnou todos os protótipos e contradições de um nórdico: poeta, pirata, fazendeiro, mercador, guerreiro e mercenário. Com a idade de 6 anos matou um garoto vizinho com o machado de seu pai, seu primeiro assassinato de uma longa série. Tornou-se um famoso aventureiro e pirata a serviço do rei Athelstan da Inglaterra. Para o rei Erik de York, compôs o poema Hofuðslaun. Envelhecendo, tornou-se fazendeiro na Islândia. Outro nórdico muito famoso foi Harald Hardrada (1015-1066), considerado por muitos o último grande chefe Viking. Após fracassar em tentar a sucessão ao trono da Noruega, serviu como mercenário de sucesso em Bizâncio. Adquirindo grande reputação como guerreiro e acumulando muitas riquezas, voltou para a Suécia e depois para a Noruega, adquirindo poder político e autoridade. Em 1066 tentou invadir a Inglaterra, morrendo na célebre batalha da ponte de Stamford.



Bibliografia

BOYER, Régis. Berserkr. In: Héros et dieux du Nord. Paris: Flammarion, 1997.
GRIFFITH , Paddy. Berserks. In: The viking art of war. London: Greenhill Books, 1995.
HAYWOOD, John. Berserker. In: Encyclopaedia of the Viking Age. London: Thames and Hudson, 2000.
LANGER, Johnni. Religião e magia entre os Vikings. Brathair 5 (2), 2005.http://www.brathair.com/Revista/N10/magia_viking.pdf
LIEBERMAN, Anatoly. Bersekir: a double legend. Brathair 4 (2), 2004.http://www.brathair.com/Revista/N8/beserkir.pdf
WARD, Christie. Berserkergang. http://www.vikinganswerlady.com/berserke.shtml

Johnni Langer é pós-doutorando em História Medieval pela USP, bolsista da FAPESP.





E-mail: apocalipsedosanjos@hotmail.com

Biografia de Elisabete Báthory ( Erzsébet Báthory (7 de agosto de 1560 — 21 de agosto de 1614) )

Nascimento e família


Erzsébet Báthory nasceu em Nyírbátor, que então fazia parte do Reino da Hungria, território hoje pertencente à República Eslovaca. A maior parte de sua vida adulta foi passada no Castelo Čachtice, perto da cidade de Vishine, a nordeste do que é hojeBratislava, onde a Áustria, a Hungria e a Eslováquia se juntam.

Era filha do nascido plebeu barão Báthory, George e de sua esposa, Anna de Somlyó. Tinha um irmão, Stephan Báthory. Anna era filha de Istvan Báthory I de Somlyó e Katalin Telegdi. Anna era irmã do rei István Batory.

Erzsébet cresceu em uma época em que os turcos conquistaram a maior parte do território húngaro, que servia de campo de batalha entre os exércitos do Império Otomano e a Áustria dos Habsburgo. A área era também dividida por diferenças religiosas. A família Báthory se juntou à nova onda de protestantismo que fazia oposição ao catolicismo romano tradicional.

Foi criada na propriedade de sua família em Ecsed, na Transilvânia. Quando criança, ela sofreu doenças repentinas, acompanhadas de intenso rancor e comportamento incontrolável. Em 1571, seu tio István Báthory tornou-se príncipe da Transilvânia e, mais tarde na mesma década, ascendeu ao trono da Polônia. Foi um dos regentes mais competentes de sua época, embora seus planos para a unificação daEuropa contra os turcos tivessem fracassado em virtude dos esforços necessários para combater Ivan, o Terrível, que cobiçava seu território.


Casamento e sadismo


Vaidosa e bela, Erzsébet ficou noiva do conde Ferencz Nádasdy aos onze anos de idade, passando a viver, no castelo dos Nádasdy, emSárvár. Em 1574, ela engravidou de um camponês. Quando sua condição se tornou visível, escondeu-se até a chegada do bebê. O casamento ocorreu em maio de 1575. O conde Nadasdy era militar e, frequentemente, ficava fora de casa por longos períodos. Nesse meio tempo, Erzsébet assumia os deveres de cuidar dos assuntos do castelo da família Nadasdy. Foi a partir daí que suas tendências sádicas começaram a revelar-se - com o disciplinamento de um grande contingente de empregados, principalmente mulheres jovens.

À época, o comportamento cruel e arbitrário dos detentores do poder para com os criados era comum; o nível de crueldade de Erzsébet era notório. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava todas as desculpas para infligir castigos, deleitando-se na tortura e na morte de suas vítimas. Espetava alfinetes em vários pontos sensíveis do corpo das suas vítimas, como, por exemplo, sob as unhas. No inverno, executava suas vítimas fazendo-as se despir e andar pela neve, despejando água gelada nelas até morrerem congeladas.

O marido de Báthory juntava-se a ela nesse tipo de comportamento sádico e até lhe ensinou algumas modalidades de punição: o despimento de uma mulher e o cobrimento do corpo com mel, deixando-o à mercê de insetos.


Viuvez e mais crimes


O conde Nádasdy morreu em 1604, e Erzsébet mudou-se para Viena após o seu enterro. Passou também algum tempo em sua propriedade de Beckov e no solar de Čachtice, ambos localizados onde é hoje a Eslováquia. Esses foram os cenários de seus atos mais famosos e depravados.

Nos anos que se seguiram à morte do marido, a companheira de Erzsébet no crime foi uma mulher de nome Anna Darvulia, de quem pouco se sabe a respeito. Quando Darvulia adoeceu, Erzsébet se voltou para Erzsi Majorova, viúva de um fazendeiro local, seu inquilino. Majorova parece ter sido responsável pelo declínio mental final de Erzsébet, ao encorajá-la a incluir algumas mulheres de estirpe nobre entre suas vítimas. Em virtude de estar tendo dificuldade para arregimentar mais jovens como servas à medida que os rumores sobre suas atividades se espalhavam pelas redondezas, Erzsébet seguiu os conselhos de Majorova. Em 1609, ela matou uma jovem nobre e encobriu o fato dizendo que fora suicídio.


Prisão e morte


No início do verão de 1610, tiveram início as primeiras investigações sobre os crimes de Erzsébet Báthory. Todavia, o verdadeiro objetivo das investigações não era conseguir uma condenação, mas sim confiscar-lhe os bens e suspender o pagamento da dívida contraída ao seu marido pelo rei.

Erzsébet foi presa no dia 26 de dezembro de 1610. O julgamento teve início alguns dias depois, conduzido pelo Conde Thurzo. Uma semana após a primeira sessão, foi realizada uma segunda, em 7 de janeiro de 1611. Nesta, foi apresentada como prova uma agenda encontrada nos aposentos de Erzsébet, a qual continha os nomes de 650 vítimas, todos registrados com a sua própria letra.

Seus cúmplices foram condenados à morte, sendo a forma de execução determinada por seus papéis nas torturas. Erzsébet foi condenada à prisão perpétua, em solitária. Foi encarcerada em um aposento do castelo de Čachtice, sem portas ou janelas. A única comunicação com o exterior era uma pequena abertura para a passagem de ar e de alimentos. A condessa permaneceu aí os seus três últimos anos de vida, tendo falecido em 21 de agosto de 1614. Foi sepultada nas terras dos Báthory, em Ecsed.


Julgamento e documentos


No julgamento de Erzsébet, não foram apresentadas provas sobre as torturas e mortes, baseando-se toda a acusação no relato detestemunhas. Após sua morte, os registros de seus julgamentos foram lacrados, porque a revelação de suas atividades constituiriam um escândalo para a comunidade húngara reinante. O rei húngaro Matias II proibiu que se mencionasse seu nome nos círculos sociais.

Não foi senão cem anos mais tarde que um padre jesuíta, Laszlo Turoczy, localizou alguns documentos originais do julgamento e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes de Čachtice. Turoczy incluiu um relato de sua vida no livro que escreveu sobre a história daHungria. Seu livro sugeria a possibilidade de Erzsébet ter-se banhado em sangue. Publicado no ano de 1720, o livro surgiu durante uma onda de interesse pelo vampirismo na Europa oriental.

Em 2008, foi filmado Bathory, com direção de Juraj Jakubisko e escrito por John Paul Chapple (dialogue) e Juraj Jakubisko (script), sendo este uma produção da Republica Tcheca. O filme romantiza a história da condessa, assim como lança algumas possíveis explicações para as lendas que surgiram sobre Elisabeth. No elenco estão:

  • Anna Friel ... Erzsébet Báthory
  • Karel Roden ... Juraj Thurzo
  • Vincent Regan ... Ferenc Nadasdy
  • Hans Matheson ... Merisi Caravaggio
  • Deana Horváthová ... Darvulia (as Deana Jakubisková-Horváthová)
  • Franco Nero ... King Mathias II
  • Antony Byrne ... Pastor Ponicky
  • Bolek Polívka ... Monk Peter

Lendas posteriores



Escritores posteriores retomariam a história, acrescentando alguns detalhes. Duas histórias ilustram as lendas que se formaram em torno de Erzsébet Báthory, apesar da ausência de registros jurídicos sobre sua vida e das tentativas de remover qualquer menção a ela na história da Hungria:

  • Diz-se que certo dia a condessa, já sem a frescura da juventude, estava a ser penteada por uma jovem criada, quando esta puxou os seus cabelos acidentalmente. Erzsébet virou-se para ela e espancou-a. O sangue espirrou e algumas gotas caíram na sua mão. Ao esfregar o sangue, pareceu-lhe que estas a rejuvenesciam. Foi após esse incidente que passou a banhar-se em sangue humano. Reza a lenda que, em um calabouço, existia uma gaiola pendurada no teto construída coom lâminas, ao invés de barras. A condessa se sentava em uma cadeira embaixo desta gaiola. Então, era colcoado um prisioneiro nesta gaiola e um guarda espetava e atiçava o prisioneiro com uma lança comprida. Este se debatia, o que fazia com que se cortasse nas lâminas da gaiola, e o sangue resultante dos cortes banhava Erzsébet.
  • Uma segunda história refere-se ao comportamento de Erzsébet após a morte do marido, quando se dizia que ela se envolvia com homens mais jovens. Numa ocasião, quando estava na companhia de um desses homens, viu uma mulher de idade avançada e perguntou a ele: "O que farias se tivesses de beijar aquela bruxa velha?". O homem respondeu com palavras de desprezo. A velha, entretanto, ao ouvir o diálogo, acusou Erzsébet de excessiva vaidade e acrescentou que a decadência física era inevitável, mesmo para uma condessa. Diversos historiadores têm relacionado a morte do marido de Erzsébet e esse episódio com seu receio de envelhecer.
  • Hoje, tambem existe o relato de simplesmente a condessa Erzsébet ter sido vitima da ambição humana, não havendo provas sucifientes, pode ter sido ela uma simples acusada de algo não feito.


Descendência


  • Pal, casado com a plebeia Judith Revay;
  • András;
  • Anna, casada com Miklós VI, conde Zrinyi;
  • Orsolya;
  • Katalin, casada com Gyorgy, conde Drugeth de Omona;





E-mail: apocalipsedosanjos@hotmail.com

A lenda de Elizabeth Báthory

Erzsébet Báthory (em húngaro) ou Elizabeth Báthory, foi uma condessa que viveu entre os séculos XVI e XVII que torturou e assassinou várias jovens e, por causa disso, ficou conhecida como um dos verdadeiros vampiros da história. Embora citada freqüentemente como húngara, devido em grande parte ao deslocamento de fronteiras do Império Húngaro, ela era na realidade mais intimamente associada com o que é hoje a República Eslovaca. A maior parte de sua vida adulta foi passada no Castelo Cachtice, perto da cidade de Vishine, a nordeste do que é hoje Bratislava, onde a Áustria, a Hungria e a Eslováquia se juntam.

Bathory cresceu numa era em que a maior parte da Hungria tinha sido conquistada pelas forças turcas do Império Otomano, sendo o campo de batalha entre exércitos da Turquia e da Áustria (Habsburgo). A área também ficou dividida por diferenças religiosas. A família de Bathory se juntou à nova onda de protestantismo que fazia oposição ao catolicismo romano tradicional. Foi criada na propriedade da família Bathory em Ecsed, na Transilvânia. Quando criança, era sujeita a doenças repentinas, acompanhadas de intenso rancor e comportamento incontrolável. Em 1571, seu primo Stephen tornou-se príncipe daTransilvânia e, mais tarde na mesma década, ascendeu ao trono da Polônia. Foi um dos regentes mais competentes de sua época, embora seus planos para a unificação da Europacontra os turcos fossem frustrados em virtude dos esforços necessários para combater Ivan, o Terrível, que cobiçava o território de Stephen.

Em 1574, Elizabeth engravidou como resultado de um breve affair com um camponês. Quando sua condição se tornou visível, foi escondida até a chegada do bebê, porque estava noiva do Conde Ferenc Nadasdy. O casamento ocorreu em maio de 1575. O Conde Nadasdyera soldado e ficava fora de casa, freqüentemente, por longos períodos. Nesse meio tempo, Elizabeth assumia os deveres de cuidar dos assuntos do Castelo Sarvar, de propriedade da família Nadasdy. Foi aí que sua carreira maligna realmente começou - com o disciplinamento de um grande contingente de empregados, principalmente mulheres jovens.

Num período em que o comportamento cruel e arbitrário dos que mantinham o poder para com os criados era coisa comum, o nível de crueldade de Elizabeth era notório. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava desculpas para infringir punições e se deleitava na tortura e na morte de suas vítimas muito além do que seus contemporâneos poderiam aceitar. Enfiava pinos em vários pontos sensíveis do corpo, como, por exemplo, embaixo das unhas. No inverno, executava suas vítimas fazendo-as se despir e andar na neve, despejando água gelada nelas até o ponto de congelamento corporal.

O marido de Elizabeth juntava-se a ela nesse tipo de comportamento sádico e até ensinou-lhe algumas modalidades de punição. Mostrou-lhe, por exemplo, uma variação desses exercícios de congelamento para o verão: despia uma mulher e a cobria com mel, deixando-a à mercê dos insetos. Ele morreu em 1604 e Elizabeth mudou-se para Viena após o seu enterro. Passou também algum tempo em sua propriedade de Beckov e no solar de Cachtice, ambos localizados onde é hoje a Eslováquia. Esses foram os cenários de seus atos mais famosos e depravados.

Nos anos que se seguiram após a morte do marido, a companheira de Elizabeth no crime foi uma mulher de nome Anna Darvulia, de quem pouco se sabe. Quando a saúde de Darvulia piorou em 1609, Elizabeth se voltou para Erzsi Majorova, viúva de um fazendeiro local, seu inquilino. Majorova parece ter sido responsável pelo declínio final de Elizabeth, ao encorajá-la a incluir algumas mulheres de estirpe nobre entre suas vítimas. Em virtude de estar tendo dificuldade para arregimentar mais jovens como servas à medida que os rumores sobre suas atividades se espalhavam pelas redondezas, Elizabeth seguiu os conselhos de Majorova. Em algum período de 1609, ela matou uma jovem nobre e encobriu o fato dizendo que fora suicídio.

Já no início do verão de 1610, investigações iniciais em torno dos crimes de Elizabeth tinham começado. A base das investigações era confiscar o latifúndio de Elizabeth e deixar de pagar o alto empréstimo que seu marido tinha feito ao Rei. Com isso em mente, Elizabeth foi presa no dia 26 de dezembro de 1610. Foi julgada alguns dias depois. O julgamento foi conduzido pelo Conde Thurzo, como agente da lei. Conforme registro, o julgamento foi iniciado não apenas para se obter uma condenação, mas também para confiscar suas terras. Uma semana após o primeiro julgamento, foi realizada uma segunda sessão, em 7 de janeirode 1611. Neste, uma agenda encontrada nos aposentos de Elizabeth foi apresentada como prova. Continha os nomes das 650 vítimas, todos registrados com a letra de Elizabeth. Seus cúmplices foram condenados à morte, sendo a forma de execução determinada por seus papéis nas torturas. Elizabeth foi condenada à prisão perpétua, e solitária. Foi colocada num aposento do castelo de Cachtice, sem portas ou janelas, apenas uma pequena abertura para a passagem de ar e de alimentos, lá permanecendo pelos três anos seguintes até sua morte em 21 de agosto de 1614. Foi sepultada nas terras de Bathory, em Ecsed.

Nenhuma acusação sobre essa atividade foi feita no julgamento, como aliás nunca foram apresentadas provas, na ocasião, de que ela estivesse engajada em tais práticas. Após sua morte, os registros de seus julgamentos foram lacrados, porque a revelação de suas atividades constituiriam um escândalo para a comunidade húngara reinante. O Rei húngaroMathias II proibiu que se mencionasse seu nome nos círculos sociais. Não foi senão cem anos mais tarde que um padre jesuíta, Laszlo Turoczy, localizou alguns documentos originais do julgamento e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes de Cachtice, onde ficava o castelo de Elizabeth. Turoczy incluiu um relato de sua vida no livro que escreveu sobre a história da Hungria. Seu livro sugeria a princípio, a possibilidade de Elizabeth ter-se banhado em sangue. Publicado durante o ano de 1720, o livro surgiu durante uma onda de vampirismo na Europa oriental que excitava o interesse do continente. Escritores posteriores retomariam a história, ornamentando alguns detalhes. Duas histórias ilustram as lendas que se formaram em torno de Elizabeth, na ausência dos registros jurídicos de sua vida e das tentativas de remover qualquer menção a ela na história da Hungria:

Diz-se que certo dia a condessa, envelhecendo, estava sendo penteada por uma jovem criada, quando a menina puxou seus cabelos acidentalmente. Elizabeth virou-se para ela e a espancou. O sangue espirrou e algumas gotas ficaram na mão de Elizabeth. Ao esfregar o sangue nas mãos, estas pareciam tomar as formas joviais da moça. Foi a partir desse incidente que Elizabeth desenvolveu sua reputação de desejar sangue de jovens virgens.

Uma segunda história cobre o comportamento de Elizabeth após a morte do marido, quando se dizia que ela se envolvia com homens mais jovens. Numa ocasião, quando estava em companhia de um desses homens, viu uma mulher de idade e perguntou a ele: "O que você faria se tivesse de beijar aquela bruxa velha?". O homem respondeu com palavras de desprezo. A velha, entretanto, ao ouvir o diálogo, acusou Elizabeth de excessiva vaidade e acrescentou que tal aparência era inevitável, mesmo para uma condessa. Diversos historiadores têm ligado a morte do marido de Elizabeth e essa história à sua preocupação com o envelhecimento, daí o fato de ela se banhar em sangue.