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7 de outubro de 2008

Cabala - A Tradição de Israel

A Cabala é uma tradição judaica. Ao longo do tempo, tem incorporado a tradição esotérica ocidental, como mostram as palvras Tetragramaton , Notarikon, Gematriah, e inclusive sendo mais tarde associada a diversos outros ramos das ciências ocultas, como a chamada Kabbalah Cristã, de tal modo que hoje forma um corpo de conhecimento praticamente universal.Dentre seus mais destacados mestres judeus, podemos citar: Rabi Akiva - autor do Sepher Yetzirah; Rabi Shimeon bar Yohay - autor do Zohar, Rabi Nehuniah ben Hakanah - autor do Bahir; Rabi Moshe ben Maimon - RaMBaM - Autor da Mishné Torah, Rabis Moses de Leon, Moses Luzzato, Moses Cordovero e Isaac Luria - O Ari, todos grandes Cabalistas.





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Bruxaria -Introdução

Hoje em dia, está na moda dizer que é "bruxa. Muitas pessoas decidem, um belo dia, "Quero ser bruxa!" Então, lêem um livro ou dois a respeito de Bruxaria, vestem-se de preto, colocam um pentagrama no pescoço e saem dizendo para quem queira ouvir (e para quem não queira, também), com um olhar misterioso, que são "bruxas".
Eu sempre estabeleço um paralelo: é a mesma coisa que alguém acordar um dia e dizer "Eu sou judia, a partir de hoje". Ou "Eu sou muçulmana".

A Bruxaria é uma Religião, como outra qualquer. O fato de uma pessoa ter o Dom, ter a Visão, não significa que ela já seja uma Bruxa. Muitas pessoas têm este Dom. Mas é necessário desenvolvê-lo e - acima de tudo - aprender a usá-lo com consciência e responsabilidade.

É necessário estudar muito, dedicar-se muito, até poder afirmar que é um Bruxo.
Eu não estou dizendo que seja obrigatório passar por todo o processo de estudo de alguma Tradição, com suas Iniciações e Graus. Isto pode até ser dispensável.

O que não pode acontecer, de maneira alguma, é que uma pessoa tome a decisão de se "iniciar" na Bruxaria e faça isto levianamente. Ignorando o fato que a "verdadeira" Iniciação começa de dentro para fora, e não o contrário. Não basta ler 200 livros, copiar algum Ritual de Iniciação e marcar uma data para fazê-lo - porque isso não vai passar de um monte de palavras e gestos vazios e sem sentido, se a pessoa não estiver devidamente preparada, ainda. Se não tiver encontrado o equilíbrio dentro de si mesma. Se não tiver passado, antes, pelo processo de Dedicação.

Talvez devido aos séculos de perseguição, uma área profundamente desenvolvida dentro da Bruxaria é a ética. E estas "bruxas iniciadas" que estão aparecendo por aí, aos milhares, parecem ignorar completamente a ética da Bruxaria.

Em primeiro lugar, a Bruxaria não é um instrumento para alimentar o ego de ninguém. Não é um instrumento para obter "poder sobre" ninguém. Nós jamais usamos magia manipulativa, que possa interferir no livre-arbítrio de terceiros.

Mas... o que mais se vê por aí? Estas "jovens bruxas" fazendo "feitiços de amor" para atrair a atenção de alguém. Isto é magia negra, e Bruxas não fazem isto!

Talvez eu pareça muito dura e implacável com estas pessoas. Mas o que acontece é que, por causa delas, o estereótipo da bruxa irresponsável e sem escrúpulos continua a ser fortalecido. Enquanto nós, Bruxas, temos lutado - e muito - para desfazer esta imagem negativa, estas pessoas disseminam exatamente o conceito que nós queremos desfazer.

É óbvio que, se você chegou até aqui, é porque tem interesse na Bruxaria. A única coisa que nós pedimos é que, se este interesse é sincero, estude. Estude muito, pesquise, converse com você mesma e resgate as perguntas certas. Quando a resposta chegar, você vai saber se este realmente é o seu Caminho.

A Verdade sobre a Bruxaria, hoje "As Bruxas, como você deve ter ouvido falar, são mulheres velhas e feias que venderam suas almas ao demônio, que trabalham incansavelmente para destruir o Cristianismo, que roubam criancinhas, dão maçãs envenenadas para lindas e incautas princesas e tomam sopa de asa de morcego no jantar. Além disso, acredita-se que as Bruxas pertençam a uma religião que adora a 'satã'.

Muitas pessoas, ainda hoje, acreditam que essas figuras bizarras realmente existiram - e que ainda existem. Mas foi há uns 600, 700 anos, através de uma mistura de fantasia e psicose, que elas se transformaram nessas personagens que a Inquisição inventou. Só que elas não eram Bruxas.

A Bruxaria atual é baseada na Magia Natural - uma forma antiga, sutil e construtiva de usar forças e energias naturais com o único objetivo de operar mudanças positivas. Estas energias não são sobrenaturais ou paranormais. São energias que, simplesmente, ainda não foram qualificadas, quantificadas e aceitas à luz da ciência.

O termo Bruxaria também inclui a Wicca, uma religião moderna (criada na década de 40) baseada na reverência ao Deus e à Deusa, com um profundo respeito pela Natureza. A diferença básica entre a Bruxaria e as religiões ocidentais é exatamente esta: não acreditamos que possa haver equilíbrio na celebração apenas da energia masculina do Deus. Vemos a interação entre a polaridade das energias masculinas/femininas do Deus e da Deusa como a representação do Todo, a energia primordial que deu origem ao Universo.

Consideramos sagradas a Natureza e todas as formas de Vida, e jamais tomamos atitude alguma que vá contra este princípio. Portanto, quando alguém afirma que qualquer tipo de "sacrifício" faz parte dos rituais da Bruxaria, está cometendo um erro absolutamente básico.

Magia e reencarnação são uma parte da filosofia desta religião, que possui diversas tradições.
A Magia Natural não inclui "maldições", "pragas", e nenhuma outra forma de magia negativa. Ela não é operada com poderes derivados de "satã" ou do "diabo".

A Wicca não é uma paródia, inversão ou perversão do Cristianismo. Não é um culto, nem uma religião doutrinadora, controladora ou proselitista. A Wicca não está aí para dominar o mundo, converter pessoas e tomar seu dinheiro, nem para obrigar ninguém a acreditar naquilo em que seus seguidores acreditam. E a Wicca não é "anti-Cristã". Também não é "pró-Cristã". É, simplesmente, uma religião não-Cristã, como tantas outras.
Orgias e sacrifícios também não fazem parte das práticas da Bruxaria. Essa idéia é disseminada por pessoas que simplesmente desconhecem os fatos, ou que escolheram ignorar a verdade por conveniência.

Está na hora de colocar de lado o preconceito e o estigma que pairam sobre a palavra Bruxaria, e compreender a sua finalidade: estar em harmonia com a Natureza, em sintonia espiritual e levar uma vida saudável, feliz, emocional e financeiramente estável. Que terror existe nisso?

Onde estão os horrores que foram tema de milhares e milhares de sermões e que, ainda hoje, contribuem para crimes religiosos?

O horror existe apenas na mente daqueles que não conhecem a verdade. É essa falta de conhecimento que gera o medo e o preconceito.

A Magia Natural e a Wicca são filosofias de vida delicadas e pacíficas, praticadas por centenas de milhares de pessoas. Esta é a verdade sobre a Bruxaria, hoje."





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Por quê as Bruxas são perseguidas até hoje?

Analisando historicamente, há uma explicação bastante clara para o estigma que paira sobre a Bruxaria até hoje. Durante a Inquisição, qualquer pessoa podia ser acusada de "Bruxaria". Bastava alguém acusar. Não era preciso provar as acusações. Uma vez denunciadas, as pessoas não tinham escapatória. A morte era certa. Caso elas insistissem em negar que eram bruxas, eram queimadas vivas. Caso confessassem que eram bruxas, tinham o benefício de morrer por enforcamento.

Das centenas de milhares de pessoas mortas por enforcamento ou queimadas vivas (em nome de sabe-se lá que "deus"), pouquíssimas eram realmente Bruxas. Pois quem, em sã consciência, não confessaria qualquer coisa para evitar a terrível e dolorosa morte na fogueira?

Mas... no caso de dúvidas, havia um teste. Jogavam a pessoa acusada em um poço ou lago. Caso ela morresse afogada, não era uma "bruxa" (que pena...) e recebia o "perdão divino". Se ela não se afogasse era, sem dúvida, uma bruxa ! Era retirada da água e queimada viva.

Os bens das pessoas acusadas eram confiscados e divididos entre o Inquisidor e o denunciante. Assim, era um negócio bastante lucrativo para ambas as partes tanto acusar alguém de "bruxaria" quanto aceitar a acusação - qualquer que fosse o motivo! E esses, geralmente eram os mais banais.

A situação foi tomando tal volume que, depois de algum tempo, os motivos foram ficando cada vez mais fúteis. Morar sozinho (por não ter parentes ou por opção própria), ter um gato (preto ou não...) ou qualquer outro animal doméstico (ou não...), ter uma verruga no corpo, conhecer as ervas e fazer chás com elas, ter olhos e cabelos escuros, ter olhos verdes e cabelos ruivos, ser bonito demais, ser feio demais... tudo - absolutamente tudo - era motivo para ser olhado com desconfiança - e acusado de bruxaria.





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6 de outubro de 2008

O que é uma Tradição? -E os seguimentos da Bruxaria

A Wicca é uma Religião que possui diversas Tradições.
Cada uma das Tradições tem sua estrutura própria, mas todas elas seguem o mesmo princípio filosófico:
a) A celebração da Deusa e do Deus através de rituais sazonais ligados à Lua e ao Sol.
b) respeito à Terra, que é encarada como uma manifestação da energia Divina.
c) A magia é vista como uma parte natural da Religião e é utilizada com propósitos construtivos.
d) A reencarnação é aceita como um fato.
e) proselitismo é visto como tabu.



"Tradição" é um método específico de ação, atitude ou ensinamentos que são passados de geração para geração. Na Wicca, a palavra tem um significado um pouco diferente: uma Tradição é um conjunto específico de rituais, ética e instrumentos. Resumindo, uma Tradição é um subgrupo específico dentro da Wicca.




As Tradições da Wicca



ALEXANDRINA

Fundada na Inglaterra nos anos 60, por Alex Sanders. Esta Tradição é quase uma "dissidência" da Gardneriana.

BRUXARIA CERIMONIAL -

Como o nome já diz, é baseada na Magia Cerimonial, com um toque de magia egípcia e magia cabalística.

BRUXAS HEREDITÁRIAS -


São as Bruxas que tem uma ascendência pagã mãe, tia, avó, etc) e que foram ensinadas "diretamente" por elas. Mensagens psíquicas, sonhos, etc, não contam.;) Mas algumas Tradições Familiares "adotam" pessoas de fora, em sua dinastia.

BRUXARIA PICTA -


Bruxaria escocesa. É uma forma solitária da Arte, basicamente mágica e com poucos elementos religiosos.



BRUXAS SOLITÁRIAS -



As Bruxas que praticam a Arte solitariamente, independente da Tradição que seguem, são chamadas de Solitárias. Existem diversos tipos de Bruxas Solitárias: algumas foram Iniciadas em Covens e decidiram desligar-se e continuar sozinhas o Caminho. Também pode ser uma Bruxa que não quer ligar-se à nenhum Coven estruturado, mas escolhe uma Tradição e a segue através dos ensinamentos de outra Bruxa. E, finalmente, existe a Bruxa Solitária que decidiu estudar sozinha, através de livros e do intercâmbio de experiências com outras Bruxas de diferentes Tradições.


CALEDÔNIA -


De origem Escocesa, era conhecida antigamente como Tradição Hecatina.



ECLETISMO -


Indica que a Bruxa não segue nenhuma das Tradições em particular. Ela estuda diversos sistemas mágicos e Tradições e aplica, para si, aqueles que se adaptam melhor à sua realidade.


GARDNERIANA -


Organizada por Gerald Gardner, na Inglaterra, nos anos 50. Gardner foi uma das poucas pessoas, em sua época, determinadas a não deixar morrer a Antiga Religião, e assumiu o risco de divulgá-la na mídia. É uma Tradição que apresenta práticas cerimoniais e rituais mais estruturadas e complexas.

SEAX-WICCA -


Fundada por Raymond Buckland em 1973. Apesar de ter influência Saxã, foi criada por Buckland sem que ele se desligasse totalmente da Tradição Gardneriana.


STREGA -

Segue os princípios de uma Tradição iniciada na Itália, em 1353.



TEUTÔNICA -

Também é conhecida como Tradição Nórdica.


TRADIÇÃO DIÂNICA -


Esta Tradição é centrada principalmente na Deusa e é basicamente feminista.


TRADICIONAL INGLESA -


Uma combinação das crenças Celtas e Gardnerianas.



WICCA CELTA -

Utiliza o panteão Druídico/Celta, mesclado com alguns rituais Gardnerianos.


WICCA SATÂNICA -


Ninguém pode ser uma "bruxa" e "satânica" ao mesmo tempo, porque as Bruxas não acreditam em "satã". Se você ouvir este termo, pode ter certeza de que trata-se de um destes charlatães que a gente encontra por aí aos montes!




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Bruxaria - Os Rituais

Entre muitas Tradições da Wicca, os Rituais específicos - tanto os religiosos quanto os mágicos - praticados por seus membros (da mesma forma que na Maçonaria, por exemplo) são segredos que o Iniciado não pode revelar. Assim, este é o "coração" de uma Tradição. Os rituais são a espinha dorsal para seu padrão de ações e discursos. Sua estrutura e suas palavras, a música e a dança usadas - até mesmo a época em que são postos em prática, variam de Tradição para Tradição.
Isso acontece, em parte, porque cada grupo identifica-se com conceitos ligeiramente diferentes da Deusa e do Deus, como já foi explicado anteriormente. Pelo fato dos Rituais servirem para unir o Humano ao Divino, os rituais praticados para Deidades específicas são diferentes uns dos outros.
Um Ritual Seax é diferente, em suas particularidades, de um Ritual estritamente Gardneriano. Isso não implica que um seja melhor do que o outro - apenas que são praticados por seres humanos que têm necessidades diferentes. Não podemos nos esquecer que a única razão legítima para a prática de um Ritual religioso de qualquer tipo é a necessidade de sintonia com a Deidade...
Nas Tradições da Wicca, os Rituais são trabalhos em grupo ou solitários destinados a despertar, programar, enviar e projetar energias naturais para atingir metas pessoais ou coletivas. E, pelo fato de serem praticados em conexão com outros trabalhos religiosos, eles também refletem a linha de pensamento de cada Tradição específica.
Algumas Tradições da Wicca preferem as práticas rituais diurnas; outras preferem as noturnas. Algumas reúnem-se para celebrar a Deusa e o Deus usando roupas comuns. Outras preferem trajes rituais específicos - e outras não usam nada.
Muitas Tradições dão ênfase aos Rituais ao ar livre, enquanto outras dificilmente saem de dentro de quatro paredes. A maioria das Tradições permite que homens e mulheres participem dos Rituais; outras admitem apenas mulheres e - muito poucas - apenas homens.
Cada Tradição tem suas razões específicas para manter suas práticas rituais particulares, e só diz respeito a elas a forma pela qual seus membros buscam a sintonia com a Deusa e o Deus.





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Os Covens

Os Covens, que podem ser definidos basicamente como grupos de Bruxas Iniciadas em uma Tradição específica para praticar a Wicca, são os mantenedores de cada Tradição, juntamente com as Bruxas Solitárias.
Mas neste ponto, também, existem algumas diferenças - afinal, um dos princípios da Wicca é a liberdade e a ausência de dogmas. Algumas Tradições têm Covens com 12 ou 13 membros; outros, com até 50. Em algumas, são necessários só 2 ou 3 membros para formar um Coven.


A HIERARQUIA DENTRO DOS COVENS



Este é um ponto absolutamente polêmico dentro da Wicca. Hoje em dia, a maior parte da Bruxas dispensa este tipo de imposição "hierárquica". Mas, como informação, é preciso dizer que algumas Tradições mantêm a prática de proceder a 3 Iniciações diferentes para seus membros - os tais Graus que eu mencionei antes.
A Iniciação no Primeiro Grau é a entrada formal para a Religião Wicca, para aquela Tradição em particular e para o Coven.
A Iniciação no Segundo Grau geralmente acontece depois de algum tempo de estudo religioso e mágico dentro da Tradição.
A Iniciação no Terceiro Grau forma os chamados "Alta Sacerdotisa" e "Alto Sacerdote". Isso pode ser descrito como o ápice do conhecimento dentro de uma Tradição específica. A Iniciação no Terceiro Grau acontece, teoricamente, apenas depois que o membro completa um rigoroso programa de estudo que engloba a Magia, a estrutura dos Rituais, a dinâmica de um grupo mágico, a Mitologia da Wicca e diversas outras áreas.
Na minha opinião pessoal, a hierarquia é absolutamente dispensável, já que todos nós somos canais diretos com a Deusa e o Deus, além de levar a um perigoso "jogo de poder" - que pode, com o tempo transformar a Wicca em apenas "mais uma Religião".
Eu não posso deixar de mencionar que este foi - especificamente - o motivo que me levou a buscar o Caminho Solitário, por enquanto. Eu recusei o posto de "Alta Sacerdotisa" em um Coven - simplesmente porque não acredito que ninguém esteja "acima" de ninguém. Por mais anos de estudo que uma pessoa tenha, ou por mais que ela esteja "à frente" dos outros membros em termos de estudo, eu acho que isso é apenas uma questão de tempo.
Eu já estudei muito, sim. Mas ainda estou aprendendo, e muito, a cada segundo, a cada minuto, a cada hora de cada dia que passa. Eu jamais conseguiria me colocar em uma posição "hierarquicamente superior" a ninguém só porque fulano ou beltrano determinaram isto. E ponto.
Mas, infelizmente, este "jogo de poder" contamina muitas pessoas. E isto só acontece porque existem outras pessoas dispostas a admirar e reverenciar o Ego de outras, admirar o "poder" que estas pessoas exibem, em vez de prestar atenção em seu próprio Poder... Em vez de reverenciar à Deusa e ao Deus, por si sós...
Resumindo: a Hierarquia dentro da Wicca é - realmente - polêmica. Muitas pessoas estão interessadas na Wicca apenas como uma forma de aparecer na mídia e alimentar o próprio ego. Mas outras acreditam, sinceramente, que é necessário passar por todo este processo de Iniciações e Graus a fim de se sentirem seguras.



Texto recebido por e-mail - Autor desconhecido





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A Deusa

A Deusa foi a primeira divindade cultuada pelo homem pré-histórico. As suas inúmeras imagens encontradas em vários sítios históricos e arqueológicos do mundo inteiro representavam a fertilidade - da mulher e da Terra. Por ser a mulher a doadora da vida atribuiu-se à Fonte Criadora Universal a condição feminina e a Mãe Terra tornou-se o primeiro contato da raça humana com o divino.



Quem é A Deusa?


Só o fato de termos que fazer essa pergunta demonstra o quanto nossa sociedade ocidental formada sob a égide da mitologia judaico-cristã se afastou de nossas origens. Fomos criados condicionados por uma cosmologia desprovida de símbolos do Sagrado Feminino, a não ser Maria, Mãe Divina, que não tem os atributos divinos, que são reconhecidos apenas ao Pai e ao Filho e é substituída na Trindade pelo conceito de Espírito Santo.
Maria é, quando muito, a intermediária para a atuação dos poderes do Deus... "peça à Mãe que o Filho concede..." Mas Maria não é a Deusa, senão um de seus aspectos mais aceitos pela sociedade patriarcal, de coadjuvante do Deus, reproduzindo o fenômeno social do patriarcado em que a mulher auxilia o homem, mas sempre lhe é inferior e, por isso, deve submeter-se à sua autoridade.
Constata-se que a ausência de uma Deusa nas mitologias pós-cristãs se deve ao franco predomínio do patriarcado. Predomínio esse que nos trouxe, ao final do século XX, a uma sociedade norteada pelos valores da competição selvagem, da sobrevivência do mais forte, da violência ao invés da convivência, do predomínio da razão sobre a emoção. Mas a Deusa está ressurgindo. Desde a década de 60, reafirmando-se nas últimas, a descoberta da Terra como valor mais alto a preservar sob pena de não mais haver espécie humana fez decolar a consciência ecológica e o renascimento dos valores ligados à Deusa: a paz, a convivência na diversidade, a cultura, as artes, o respeito a outras formas de vida no planeta.
Cultuar a Deusa hoje significa reconsagrar o Sagrado Feminino, curando, assim, a Terra e a essência humana. Quer sejamos homens ou mulheres, sabemos que nossa psique contém aspectos masculinos e femininos. Aceitar e respeitar a Deusa como polaridade complementar do Deus é o primeiro passo para a cura de nossa fragmentação dualística interior.
A Deusa é cultuada como Mãe Terra, representando a plenitude da Terra, sua sacralidade. Sobre a Terra existimos e, ao fazê-lo, estamos pisando o corpo Onipotente e distante, que vive nos céus... A Deusa é a Terra que pisamos, nossos irmãos animais e plantas, a água que bebemos, o ar que respiramos, o fogo do centro dos vulcões, os rios, as cores do arco-íris, o meu corpo, o seu corpo... A Deusa está em todas as coisas... Ela é Aquela que Canta na Natureza... O Deus Cornífero seu consorte, segue sua música e é Aquele que Dança a Vida...
Cultuar a Deusa não significa substituir o Deus ou rejeitá-lo. Ambos, Deus e Deusa são as expressões da polaridade que permitiu que o Grande Espírito, o UNO, se manifestasse no universo... São os dois lados de uma mesma moeda... as duas faces do Todo, ou sua divisão primeira. Assim, crer na Deusa e no Deus ainda é crer em um Ser Supremo que, ao se bipartir, criou o princípio masculino e o princípio feminino, o Yin e o yang, o homem e a mulher.
A Deusa também é a Senhora da Lua e, mais uma vez, a explicação desse fato remonta às cavernas em que já vivemos. O homem pré-histórico desconhecia o papel do homem na reprodução, mas conhecia muito bem o papel da mulher. E ainda considerava a mulher envolta em uma aura mística, porque sangrava todo mês e não morria, ao passo que para qualquer dos homens sangrar significava morte. Portanto, a mulher devia ser muito poderosa, ainda mais que conhecia o "segredo" de ter bebês... É fácil entender porque a mulher era identificada com a Deusa, ou, melhor dizendo, porque a primeira divindade conhecida tinha que ter caracteres femininos... Ainda mais quando as pessoas descobriram que a gravidez durava 10 lunações e a colheita e o suceder das estações seguia um ciclo de 13 meses lunares. O primeiro calendário do homem pré-histórico foi mostrado nas mãos da famosa estatueta da Vênus de Laussel, que segura em sua mão um chifre em forma de crescente, com 13 talhos que representam as lunações.
Por sua conexão com a Lua e a mulher, a Deusa é cultuada em 3 aspectos: a Donzela, que corresponde à Lua Crescente, a Mãe representada na Lua Cheia e a Anciã, simbolizada na Lua Decrescente, ou seja, Minguante e Nova.
Na tradição da Deusa a Donzela é representada pela cor branca e significa os inícios, tudo o que vai crescer, o apogeu da juventude, as sementes plantadas que começam a germinar, a Primavera, os animais no cio e seu acasalamento. Ela e a Virgem, não só aquela que é fisicamente virgem, mas a mulher que se basta, independente e auto-suficiente.
Como Mãe a Deusa está em sua plenitude. Sua cor é o vermelho, sua época o verão. Significa abundância, proteção, procriação, nutrição, os animais parindo e amamentando, as espigas maduras, a prosperidade, a idade adulta. Ela é a Senhora da Vida, a face mais acolhedora da Deusa.
Por fim, a Deusa é a Anciã, que é a Mulher Sábia, aquela que atingiu a menopausa e não mais verte seu sangue, tornando-se assim mais poderosa por isso. Simboliza a paciência, a sabedoria, a velhice, o anoitecer, a cor preta. A Anciã também é a Deusa em sua face Negra da Ceifeira, a Senhora da Morte. Aquela que precisa agir para que o eterno ciclo dos renascimentos seja perpetuado. Esta é o aspecto com que mais dificilmente nos conectamos, porém, a Senhora da Sombra, a Guardiã das Trevas e Condutora das Almas é essencial em nossos processos vitais. Que seria de nós se não existisse a morte? Não poderíamos renascer, recomeçar...
Desta forma, é fácil compreendermos porque a Religião da Deusa postula a reencarnação. Se fazemos parte de um universo em constante mutação, que sentido haveria em crermos que somos os únicos a não participar do processo interminável da vida-morte-renascimento? Essa realidade existe no microcosmo do ciclo das estações, da colheita que tem que ser feita para que se reúnam as sementes e haja novo plantio. É justamente por isso que aqueles que seguem o Caminho da Deusa celebram a chamada Roda do Ano, constituida pelos 8 Sabbats celtas que marcam a passagem das estações. Ao celebrar os Sabbats cremos que estamos ajudando no giro da Roda da Vida, participando assim de um processo de co-criação do mundo.
Por tudo o que dissemos fica fácil entender porque os caminhos, cultos e tradições centrados na Deusa são religiões naturais, fundamentadas nos ciclos da natureza e no entendimento de seus elementos e ritmos. Estas práticas de magia natural usam a conexão e correlação dos elementos da natureza - Água, Terra, Fogo e Ar, as correspondências astrológicas (signos zodiacais, influências planetárias, dias e horários propícios, pedras minerais, plantas, essências, cores, sons) e a sintonia com os seres elementais (Devas Guardiões dos lugares, Gnomos, Silfos, Ondinas, Salamandras, Duendes e Fadas).




A Deusa e o Deus


"Todas as Deusas são uma só Deusa, todos os Deuses são um só Deus."
Conquanto a Deusa presida a pulsação vital constante do Universo, é imprescindível que entendamos o papel do Deus. Ela é a Senhora da Vida, mas Ele é o Portador da Luz; Ela é o ventre, Ele o falo ereto; Ela gera a vida, Ele é a faísca que inicia o processo, em plena harmonia, sem predomínios nem competições, mas pela completa união... Ambos parceiros no desenrolar da música e dança que criam e recriam o universo ainda hoje... Na Primavera Ela é a Donzela, Ele o Deus Azul do Amor... No verão ela é a Mãe, grávida, ele o Galhudo, o Deus da Vegetação e dos Animais, Cernnunnos... No outono ele desce para o Mundo Subterrâneo, como o Deus Negro do Mundo Inferior, do sacrifício e da Morte e Ela a Anciã que abre os portais e o acolhe durante sua transmutação. No inverno ele renasce do próprio ventre escuro da Deusa, que quase torna, assim, a um só tempo, sua consorte e sua mãe...
Os últimos anos têm assistido o fenômeno chamado "Renascer da Deusa", ou seja, o ressurgimento do arquétipo do divino feminino na cultura, nas artes, na ciência e no psiquismo das pessoas. Fazem parte desse renascimento a preocupação ecológica, as manifestações pela paz, o ressurgimento de religiões baseadas na natureza, pondo em relevo valores femininos: o respeito à Mãe Terra, o reconhecimento dos seres humanos como irmãos dos demais seres, a ênfase na conciliação dos sexos e das pessoas, ao invés da competição, a paz ao invés dos conflitos, as terapias naturais respeitando o corpo e a Terra, a volta dos oráculos (runas, tarot, geomancia) e das práticas xamânicas.
Dentro dessa nova mentalidade, o culto à Grande Mãe pode ser feito em diversos caminhos espirituais. De certa maneira, a própria Igreja Católica participa dessa tendência de várias maneiras, colocando em relevo depois de muitos anos a figura de Maria. As religiões centradas na Deusa geralmente têm em comum o reconhecimento da natureza como a própria e, por isso, são designadas como Cultos ou Tradições Naturais, muitos deles oriundos ou aplicando os princípios do xamanismo. Os cultos à Deusa são religiões xamânicas, no sentido de reunirem prática de magia natural e contatos com outras realidades, além de se basearem na interação dos quatro elementos: Fogo, Água, Terra e Ar, unidos pela quitessência que é o Espírito.
Atualmente existem inúmeros cultos que poderíamos chamar de "centrados na Deusa", ou "A Religião da Deusa". Mas o mais conhecido deles hoje, sem dúvida, é a Tradição Wicca, que influencia de muitas formas todos os demais.
Wicca é uma religião pagã (usada esta palavra tanto no sentido comum de "não cristã", como no sentido etimológico de "oriunda do campo", por ser uma religião de origem rural) que cultua a Deusa Tríplice e seu consoante o Deus Cornífero. Ambos são expressões em polaridades do Ser Supremo, a Divindade, chamado pelos nativos norte americanos de Grande Espírito ou o Grande Mistério, O UNO ou a Fonte Criadora, que se manifesta na realidade concreta nas representações da Deusa e do Deus.
A palavra WICCA se origina do inglês arcaico wicce, significando wise (sábio) e o verbo moldar, dobrar. Portanto, um Wiccan (como são chamados seus adeptos) é um moldador, alguém que dá outra feição à realidade que o cerca.
A Wicca surgiu na primeira metade do século XX, do estudo de alguns pioneiros como Margaret Murray e Gerald Gardner, que procuraram resgatar as raízes da witchcraft (bruxaria) praticada na Inglaterra rural e na Toscana (norte da Itália). Essas práticas eram, na origem, a expressão popular da religião celta, que dominou a Europa Ocidental por séculos. A Wicca, pois, se propõe a ser a versão moderna da Antiga Religião.
Na Tradição Wicca existem diversas vertentes, desde as mais rigidamente estruturadas, seguindo normas e rituais fixos, até aquelas que são predominantemente ecléticas, com adaptações regionais ou pessoais. Entre as mais tradicionais se encontram a Gardeneriana, Alexandrina, Diânica, Celta, Georgiana etc. A Wicca pode ser praticada em grupos chamados covens ou por solitários.
Todas as Deusas são uma única Deusa", múltiplas manifestações da Grande Mãe. Cultuar a Grande Deusa pode se manifestar no culto a um ou mais dos arquétipos que a representem nas diversas culturas do mundo. Assim, sejam as Lilith e a Shequinah judaicas, a babilônia Inanna, a havaiana Pele, a chinesa Kwan-In, a japonesa Amaterasu, a inca Ixchel, as africanas Yemanjá e Oyá, ou as hindus Sarasvati e Kali, sempre se estará prestando culto à mesma e única Deusa. As diferentes mitologias enumeram milhares de nomes de Deusas, correspondendo a aspectos ou atributos diversos. Assim, se escolhemos nos conectar com as Deusas Afrodite ou Ishtar ao procurarmos trabalhar a energia do amor, o fazemos porque essas formas do arquétipos, por disposição de milênios, mais se aproximam dessa energia. Se precisamos tratar de estudos ou escrita, criatividade nas artes, invocamos Atena ou Saravasti, por exemplo.
Muitas bruxas costumam se conectar com Deusas de diferentes mitologias, conforme a necessidade de seus trabalhos. Outras se atém a um panteão determinado e só cultuam as Deusas e Deuses daquela cultura. Ambas as formas de expressão fazem parte dos Caminhos da Deusa. Algumas bruxas preferem se conectar com as Deusas em sua forma mais primitiva, como Mãe Terra, daí utilizarem símbolos das chamadas Vênus pré-históricas, como de Laussel, Willendorf, Deusa serpente de Creta, Deusa do Nilo.






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